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Cassandra Castro e Déborah Arruda – Da Cenarium

BRASÍLIA (DF) e MANAUS (AM) – A venda da Refinaria Isaac Sabbá (Reman), em Manaus, na noite dessa quarta-feira, 25, gerou reações dos parlamentares da bancada amazonense no Congresso Nacional. Com mais de seis décadas de existência, a também conhecida como Refinaria de Manaus, foi vendida pela Petrobras pelo valor de US$ 189,5 milhões, o equivalente a R$ 994,15 milhões. A refinaria foi vendida para a empresa Ream Participações, dos mesmos donos da Atem Distribuidora, por um valor 70% inferior ao que realmente vale: US$ 279 milhões.

A Reman tem capacidade de processar mais de 7 milhões de litros de petróleo ao dia, o que equivale a 46 mil barris. A produção da refinaria atende, além do Amazonas, os estados do Pará, Amapá, Rondônia, Acre e Roraima. O processo de pagamento, no entanto, deve ser realizado em duas etapas: a primeira parte paga será no valor de R$ 148 milhões e a segunda, no valor de R$ 845 milhões, esta somente após a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Em nota, o Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM) afirmou ser contra a venda da refinaria. Junto à Federação Única dos Petroleiros (FUP), aos sindicatos de petroleiros filiados e ao Departamento Jurídico, avaliam medidas para impedir a venda. De acordo com o Sindipetro-AM, a venda “irá acarretar consequências negativas para a economia do Estado do Amazonas e também para a população que é vítima do desmonte da Petrobras ao pagar valores abusivos no preço da gasolina e botijão de gás de cozinha”.

Refinaria tem capacidade de lucro maior do que o valor pela qual foi vendida (Divulgação)

Além disso, o coordenador-geral do Sindipetro-AM, Marcus Ribeiro, ressaltou que a luta da categoria amplia a cada fase de venda da refinaria e que o sindicato está comprometido com a defesa da Petrobras como estatal para o povo.

“A gestão da Petrobras, a mando da política entreguista de Bolsonaro e Paulo Guedes, entrega de bandeja um ativo de suma importância para o abastecimento da Região Norte e também para seu desenvolvimento econômico e social. A população de Manaus, do Amazonas e de cidades e estados abastecidos pela Reman vão estar nas mãos do mercado privado que irá impor preços e que não terá obrigação de oferecer produtos, podendo ocasionar o risco de desabastecimento da região”, disse.

Bancada amazonense reage

Alguns parlamentares da bancada amazonense comentaram sobre a venda da refinaria. Na opinião do deputado Bosco Saraiva (Solidariedade-AM), um dos problemas da alta dos preços do combustível é a ausência de concorrência entre as refinarias brasileiras. Ele acredita que “é fundamental que ocorram novos investimentos privados para modernizar as refinarias brasileiras, em especial a unidade de refino de Manaus, responsável por abastecer grande parte da Região Amazônica”.

O senador Plínio Valério (PSDB-AM) disse que “a venda da Reman até certo ponto, já era esperada. A Petrobras não está em condições de concorrer com empresas de outras bandeiras (Atem, Equador) que importam o produto acabado, usufruem dos benefícios da Zona Franca de Manaus, não pagam impostos e conseguem, por meio de liminar, vender seus produtos para vários pontos do Brasil, uma concorrência desleal”, finalizou.

Para o deputado José Ricardo (PT-AM), a venda da Refinaria de Manaus é um golpe contra a população amazônica e o Brasil. O parlamentar acredita que a venda é mais um passo do processo de privatização que vai encarecer ainda mais os combustíveis.

“A privatização da Petrobras continua. Mais um golpe contra a população amazônica e o Brasil. Estão anunciando a venda da Refinaria de Manaus por R$ 994 milhões, ou seja, 189 milhões de dólares. Um valor quase simbólico em relação ao que vale a empresa, hoje, mas também sobre o que representa para o futuro. O setor privado terá lucros sem ter investido um centavo para a construção dessa refinaria que tem mais de 50 anos. É o processo de privatização que vai encarecer mais ainda os combustíveis (só aqui, em Manaus, já está custando R$ 6 o litro e muito mais caro está no interior do Estado); o gás de cozinha, que já custa mais de R$ 100”, afirmou.