Fundação Padre Anchieta

Custeada por dotações orçamentárias legalmente estabelecidas e recursos próprios obtidos junto à iniciativa privada, a Fundação Padre Anchieta mantém uma emissora de televisão de sinal aberto, a TV Cultura; uma emissora de TV a cabo por assinatura, a TV Rá-Tim-Bum; e duas emissoras de rádio: a Cultura AM e a Cultura FM.

CENTRO PAULISTA DE RÁDIO E TV EDUCATIVAS

Rua Cenno Sbrighi, 378 - Caixa Postal 66.028 CEP 05036-900
São Paulo/SP - Tel: (11) 2182.3000

Televisão

Rádio

Cassandra Castro – Da Cenarium

BRASÍLIA – Uma história de superação que demonstra como a força de vontade e a ajuda de outras pessoas podem mudar uma vida. O paulistano Rogério Soares, 51, mais conhecido como “Barba”, sabe muito bem o que é a vida de quem está em situação de rua. Abandonado pelos pais, morou em um orfanato até os 18 anos. Depois, saiu de lá para trabalhar em uma rádio, em São Paulo. Acabou conhecendo o crack, como é chamada a cocaína no seu estado cristalizado que forma uma pedra branca altamente viciante.

O vício em crack fez com que “Barba” perdesse o emprego e os vínculos de amizade. Foi quando ele voltou a morar nas ruas de 1989 até 2014. Nesse período, foram 14 internações em casas de recuperação para tentar sair do vício do álcool e das drogas. Em 2010, conheceu o trabalho de um projeto chamado Cristolândia e, aos poucos, foi se aproximando dessas pessoas que realizam um trabalho junto aos moradores de rua de Brasília. Em 2014, pediu ajuda para ir ser internado e tentar sair de vez do vício e das ruas. Graças à solidariedade dos novos amigos, “Barba” conseguiu vencer o vício e, agora, dedica a vida para ajudar outras pessoas que também precisam de uma oportunidade para saírem das ruas.

Superação e solidariedade diante da pobreza

Voluntários fazem entrega de refeições a pessoas em situação de vulnerabilidade social, em Brasília. (Reprodução/ Internet)

Atualmente, “Barba” realiza diversas ações de ajuda a pessoas em situação de rua. Ele chega, conversa, conta sua história e sempre enfatiza o que aprendeu na caminhada. “A vida é feita de escolhas, a pessoa pode escolher morar onde quiser, mas viver em situação de rua é muito difícil, traz sofrimento. Muitas dessas pessoas não tomam banho, não se alimentam, não fazem uma higiene pessoal por causa do vício em drogas e do alcoolismo”, conta o agente social.

Retrato de uma sociedade de contrastes

O sociólogo e professor, Francinézio Amaral, analisa a questão da desigualdade social como um reflexo da reorganização do capitalismo. O especialista acredita que o tema não é encarado com relevância pela sociedade. “Infelizmente, essa discussão tem deixado de ser pautada na maioria dos debates que visam compreender esse fenômeno”. O sociólogo acredita que talvez seja mais fácil compreender porque o poder público vem sendo ineficaz nas poucas ações que destina para combater a pobreza e a desigualdade. Ele avalia que elas não atacam o núcleo do problema e, sim, o remediam, o que acaba transformando a situação num círculo vicioso.

Segundo uma pesquisa realizada, recentemente, pela Fundação Getúlio Vargas, a taxa de pobreza aumentou em quase todo o Brasil e acentuou ainda mais o cenário de pessoas vivendo nas ruas.

Quem está diariamente levando ajuda a essa população também confirma que a realidade ficou mais dura e foi agravada ainda mais pela pandemia de Covid-19. “Antes da pandemia, o número de pessoas em situação de rua aqui no DF era entre 2 mil e 2.400 pessoas, hoje, a gente calcula aí, umas 4 mil pessoas. O desemprego aumentou e a pandemia acabou deixando tudo ainda mais dramático para essa gente” afirma “Barba”.

Geração de Renda e chance de mudar de vida

Ações incluem doação de alimentos, roupas, viabilização de banhos e encaminhamento para o mercado de trabalho (Reprodução/internet)

As ações de ajuda imediata aos moradores de rua são necessárias. Existem projetos espalhados pelo País que levam roupas, alimentos, viabilizam um local para que essas pessoas tomem banho e tentam restabelecer contato entre elas e seus familiares. Mas isso só, não basta, afirma Rogério Soares, o “Barba”.  “A gente entende que precisa gerar renda para essas pessoas, porque o trabalho formal é muito difícil. Estamos com um projeto no qual elas vão fabricar chinelo, pano de prato, de chão, saco de lixo, flanelas e vender. Aí elas retornam para a fábrica, produzem novamente e vendem para que possam ter um dinheiro, gerar renda e ter o básico para poder sair da rua”. A fábrica à qual “Barba” se refere deve ser inaugurada em dezembro e terá o nome Qualificação Profissional, Empreendimento Social Barba na rua.

Para os moradores em situação de rua, “Barba” sempre procura passar uma mensagem de fé e perseverança. “Eu sempre digo a elas para que não percam as esperanças, que dias melhores virão e que as pessoas têm que escolher sair da rua. Hoje, eu tenho uma vida totalmente diferente e sou feliz com o que faço”.