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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – “Quando você começa a ler e entender tudo, compreende a importância da prevenção e do combate ao preconceito”. O jornalista Lucas Martins Silva, de 28 anos, entende que ações de combate à Síndrome da Imunodeficiência Humana (Aids) são importantes e merecem ser divulgadas. Por isso, há três anos, ele iniciou o acompanhamento para Profilaxia Pré-Exposição (PreP) para reduzir a probabilidade de infecção pelo vírus. Neste mês, é celebrado o Dezembro Vermelho, a grande campanha de mobilização nacional na luta contra a doença.

Silva faz uso diário de entricitabina+fumarato de tenovir desproxila, a chamada Truvada, que é distribuída gratuitamente, em Manaus, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além da PreP, o sistema público de saúde também oferta a prevenção via Profilaxia Pós-Exposição (PEP), indicada para pessoas que têm uma exposição sexual de risco, acidente ocupacional com objeto perfurocortante ou profissionais da saúde, que trabalham na limpeza e recolhem lixo hospitalar.

“Eu faço PreP há uns 3 anos. Como homossexual, não posso ser hipócrita em negar o medo pelo HIV, mas quando você começa a ler e entender tudo, compreende que pode sim se relacionar com pessoas que têm HIV positivo. Só pode fazer a PreP pessoas com HIV negativo. É um comprimido que eu tomo diariamente que bloqueia a entrada do HIV e me protege. É um aliado do preservativo”, disse Lucas Silva.

A entricitabina+fumarato de tenofovir desoproxila, conhecida como Truvada, que é distribuída gratuitamente no sistema de Profilaxia Pré-exposição (PreP) (Reprodução/Arquivo Pessoal)

À CENARIUM, a médica Aline Alencar, que atua na Fundação de Medicina Tropical (FMT) e na Unidade Básica de Saúde (UBS) Franco de Sá, deu mais detalhes referentes à diferença entre os dois métodos de prevenção e a qual público se destina. “Pode ser feito o uso da PEP até 72 horas depois da exposição, e o medicamento deve ser utilizado por 28 dias. A PreP é uma medicação que pode ser usada por pessoas que não têm HIV, mas que têm o objetivo de prevenir uma infecção”, explica ela.

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A médica lembra ainda que a prevenção medicamentosa pode ser prescrita a qualquer pessoa que se encaixar no tipo de público já citado, mas que há pessoas em grupos mais vulneráveis. “Tem grupos mais vulneráveis: homens que fazem sexo com homens, trabalhadores de sexo e a população trans, mas qualquer pessoa que deseja se prevenir pode passar pela consulta, pela avaliação e pode ser receitado com o PreP”, reforça Aline.

População de risco

Em janeiro deste ano, o Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde (MS), divulgou que cerca de 920 mil pessoas viviam com HIV no Brasil. Dessas, 89% foram diagnosticadas, 77% fazem tratamento com antirretroviral e 94% das pessoas em tratamento não transmitem o HIV por via sexual por terem atingido carga viral indetectável.

“A gente ainda tem altos números de infeção pelo HIV nas populações negras e nas populações dos jovens entre 18 e 24 anos, assim como de homens que fazem sexo com homens. Por isso, é importante que as pessoas conheçam sobre PreP, porque funciona como uma nova vacina para evitar que a gente tenha novas infecções e consiga conter a epidemia”, manifesta ainda a médica.

Porém, Aline reforça que o uso dos medicamentos faz parte de uma prevenção combinada, ou “mandala de prevenção”, que associa diferentes métodos de prevenção ao HIV. “Eles fazem parte de uma terapia de prevenção combinada que está a testagem para sífilis, Hepatite B, Hepatite C, uso de preservativos e testagem regular para HIV. É importante que as pessoas entendam que é uma prevenção combinada, ela funciona dentro de um contexto de gerenciamento de risco”, explica.

A “mandala” da prevenção combinada (Reprodução/ Ministério da Saúde)

“Antigamente, as pessoas tinham praticamente a sentença de morte nas mãos quando recebiam esse resultado. Mas, hoje em dia, graças à Ciência, temos alternativas para evitar a infecção e, quem tem diagnóstico positivo, controlar a carga viral, tão logo, é preciso entender que o portador do HIV é gente, ama como qualquer outro, tem família e pode sim se relacionar sem medo. Precisamos acabar com o preconceito. Ele mata”, defendeu ainda o jornalista Lucas Martins.

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Anvisa libera medicamento

Na segunda-feira, 29, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento para o tratamento de pessoas com o vírus HIV. O medicamento combina duas diferentes substâncias em um único comprimido: Lamivudina e Dolutegravir sódico.

Segundo o governo federal, a bula diz que o novo medicamento reduz e mantém em um nível baixo a quantidade de HIV no organismo. Também aumenta a contagem das células CD4, tipo de glóbulo branco do sangue que exerce papel importante na manutenção de um sistema imune saudável, ajudando no combate às infecções.

O remédio poderá ser prescrito para o tratamento completo da infecção pelo vírus em adultos e adolescentes acima de 12 anos com pelo menos 40 kg. O País distribui gratuitamente todos os antirretrovirais desde 1996 e, desde 2013, o SUS garante o tratamento para todas as pessoas vivendo com HIV, independentemente da carga viral. Segundo o Ministério da Saúde, até o momento, existem 19 medicamentos disponíveis em 34 apresentações farmacêuticas.

Veja a produção “Bora Combinar – O documentário”, com pessoas que relatam suas experiências com o uso da PrEP: