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Colaborou Rômulo D’Castro — Da Revista Cenarium

PARÁ — Para o Ministério Público Federal (MPF), a morte de três pessoas da mesma família em São Félix do Xingu, Sudeste do Pará, foram motivadas pelo terrorismo praticado contra ambientalistas no Estado.

Essa é a base da nota encaminhada à imprensa pelo MPF sobre o caso que repercute em todo o País desde o último dia 10 de janeiro, quando os corpos de José Gomes, conhecido como ‘Zé do Lago’, da esposa dele, Márcia Nunes Lisboa e da filha do casal, Joene Nunes Lisboa, foram encontrados perto da casa onde moravam, no município paraense.

“O casal vivia há mais de 20 anos na localidade conhecida como Cachoeira da Mucura e desenvolvia um projeto ambiental de proteção de quelônios, repovoando as águas do Xingu com filhotes de tartarugas todos os anos. Eles foram mortos a tiros”, diz a nota do Ministério Público, que afirma ainda que “os fatos são de extrema gravidade e se inserem em um contexto de reiterados ataques a ambientalistas e defensores de direitos humanos”.

As investigações são realizadas pela Delegacia de Homicídios de Marabá, com o Núcleo de Apoio à Investigação da Polícia Civil de Redenção. Mas o caso ganhou repercussão nacional e até em outros países. A Anistia Internacional pediu providências às autoridades brasileiras.

Leia também: Três ambientalistas da mesma família são assassinados no interior do Pará

Ainda de acordo com o MPF, ao menos “50 entidades e movimentos sociais divulgaram carta pública cobrando rapidez nas investigações e responsabilização dos envolvidos. Entre os signatários da carta estão a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH)”.

Mortes no campo

Na carta, a Comissão Pastoral da Terra denuncia que nas últimas quatro décadas 62 trabalhadores rurais e lideranças comunitárias foram mortas em conflitos de terra no São Félix do Xingu, onde a família mantinha um projeto de preservação de quelônios.

Os casos se limitam a São Félix do Xingu. O Pará é nacionalmente conhecido como um dos Estados onde mais ocorrem mortes no campo, na maioria das vezes encomendadas por grileiros que invadem terras para vender ou explorar ilegalmente. Um dos exemplos mais emblemáticos no Estado aconteceu em 12 de fevereiro de 2005.

Dorothy Stang era missionária e tida como um dos principais nomes no combate à invasão de terras. A freira foi assassinada a tiros em um ramal no município onde morava, Anapu, Sudoeste do Pará.

De acordo com o Global Witness, o Brasil é o 4º país do mundo com maior número de ambientalistas assassinados. O Ministério Público Federal encaminhou nota às autoridades paraenses pedindo que as mortes de Zé Lago, da esposa e da filha não fiquem impunes, e que as investigações sejam agilizadas a fim de prender quem assassinou a família.