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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS — O movimento “Humaniza Coletivo Feminista” repudiou, por meio das redes sociais, a nova Caderneta da Gestante, do Ministério da Saúde (MS), indicando que o material abre “espaço para práticas desatualizadas consideradas ‘violência obstétrica’” como, por exemplo, a episiotomia. O método consiste em uma incisão no períneo — a região entre o ânus e a vagina — para facilitar a passagem do bebê.

O material indica que a prática “não deve ser realizada de rotina; porém, em casos
específicos, como o de sofrimento fetal, o profissional poderá indicá-la para ajudar no nascimento e proteger o bem-estar do bebê”. À CENARIUM, a doula e diretora de comunicação do coletivo, Gabriela Repolho, indicou que o procedimento não deveria ser indicado e apontou outros métodos problemáticos da caderneta.

“A ideia da episiotomia é proteger o períneo, evitar laceração mais grave e acelerar o trabalho de parto. Para proteção do períneo ela não é eficaz, não faz sentido cortar para proteger, sendo que nem todas as mulheres terão laceração no parto se eles receberem uma boa assistência. E o corte aumenta o risco de infecção pós-parto, pode ter impacto na vida sexual da mulher e no seu emocional”, indica Gabriela.

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O levantamento Nascer no Brasil, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de 2012, mostrou que 30% das mulheres atendidas em hospitais privados sofrem violência obstétrica, enquanto no Sistema Único de Saúde (SUS) a taxa é de 45%.

“Outro ponto preocupante é que ela [a caderneta] fala na parte de planejamento familiar que a amamentação protege contra a gravidez nos primeiros seis meses, mas a mulher pode engravidar mesmo se estiver amamentando e precisa receber orientações sobre isso durante o pré-natal”, explicou também.

Manobra de Kristeller

O evento de lançamento da caderneta contou com a participação do Secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (Saps), Raphael Câmara, que, durante a apresentação, “tenta minimizar a gravidade da Manobra de Kristeller”, que significa empurrar a barriga da mãe no momento do parto para estimular o nascimento da criança.

“Essa manobra é contraindicada pelo próprio Ministério da Saúde, pela OMS [Organização Mundial da Saúde] e, aqui, no Brasil, o Conselho Federal de Enfermagem proíbe os profissionais da área de realizá-la. É uma manobra que pode trazer sequelas a mãe e bebê, como fratura de costelas, laceração grave do períneo, ruptura do fígado, descolamento de placenta, hemorragia, traumas no bebê e até levar à morte”, salientou.

“A nossa luta não é para atacar ou criticar uma classe específica de profissionais, inclusive um dos nossos objetivos é trazer a classe médica para a luta como aliados, para nos posicionarmos contra os retrocessos, contra práticas desatualizadas e comprovadamente nocivas ao binômio mãe e bebê”, concluiu Gabriela Repolho.

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A CENARIUM entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) e com o Conselho Federal de Enfermagem (Cofecon), mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Confira o documento na íntegra: