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Gabriella Lira – Da Agência Amazônia

MANAUS — Uma ferramenta que serve tanto para pesquisa quanto para monitoramento da região de influência da BR-319. Esse é o mapa interativo lançado pelo Observatório BR-319 para facilitar a transparência e o acesso à informação sobre a área. O site permite visualizar a região da rodovia, com suas categorias fundiárias, desmatamento, foco de calor, além de documentos oficiais. 

Ao acessar o observatoriobr319.org.br/mapa é possível verificar informações sobre municípios, estradas, Unidades de Conservação (UCs), Terras Indígenas (TIs) e assentamentos federais que compõem a área, assim como os indicadores de desmatamento e focos de calor. 

BR-319 (Foto: Arquivo Idesam)

Com o objetivo de fortalecer a governança na região de influência da rodovia, o site tem como  destaque a “Linha do Tempo”, ferramenta que mostra, em ordem cronológica, os acontecimentos que marcaram a história da BR-319 desde a década de 1970 até agora. Além de notícias atualizadas sobre a área, conta com informativos e podcasts mensais, atualizações de casos de Covid-19 nas localidades, publicações e notas técnicas. 

A secretária-executiva do Observatório BR-319 (OBR-319) e líder da Iniciativa de Governança Territorial do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), Fernanda Meirelles, destaca que há uma expectativa para que as informações colhidas contribuam na qualificação do debate a respeito dos impactos positivos e negativos da BR. “Por meio do site esperamos dar mais transparência ao processo de licenciamento da rodovia e trazer as informações necessárias para que as pessoas que são e serão atingidas pelo empreendimento possam participar do processo decisório”, afirma. 

O Mapa Interativo apresenta 13 municípios, 69 Terras Indígenas (TI) e 42 Unidades de Conservação monitorados pela rede, além de dados e informações sobre o local. O BR-319 fez um recorte dos dados da Amazônia Legal, dos Estados do Amazonas e de Rondônia, TIs e UCs e dos municípios. 

Mapa do desmatamento

Segundo dados do Imazon, em 2021, o índice de desmatamento na área cresceu 41% e as queimadas 9%, em relação ao ano anterior. Ao fazer uma comparação é possível perceber que na Amazônia Legal cresceu 28% no ano que passou, enquanto as queimadas caíram 32%. 

No mapa abaixo, é possível ver o avanço das áreas em vermelho, que correspondem ao período de janeiro a dezembro de 2021, acendendo um alerta para a Amazônia e significa a perda de sua capacidade de regeneração ecológica.

Arte: Mayana Lopes

O aumento de registros de focos de calor também é um dado alarmante. Os 13 municípios impactados pela rodovia somaram mais de 10 mil focos em 2021, considerado um recorde nos últimos 12 anos e aumento de 9% em relação a 2020. Os municípios de Lábrea e Tapauá registraram os maiores focos de calor da série histórica. 

“Nós percebemos ao longo dos monitoramentos  mensais de desmatamento que existem sucessivos meses de recorde quando comparamos ao ano passado e aos anos anteriores, uma das causas que pode estar contribuindo para a intensificação do desmatamento é a diminuição da fiscalização, que acaba contribuindo para o aumento das atividades ilegais na região, e a gente vem percebendo que o anúncio da possibilidade de pavimentação da rodovia também contribui para especulação fundiária na região”, afirma Meirelles.

Observatório BR-319

O Observatório BR-319 foi fundado em 2017, a partir de uma reunião entre organizações da sociedade civil que possuíam um entendimento em comum de que antes que para uma obra de infraestrutura como a BR-319 aconteça, é preciso que medidas de salvaguardas socioambientais aconteçam como, por exemplo, o aumento da governança da região, ações de comando e controle com fiscalizações contínuas e efetivas, a real implementação das áreas protegidas e o reconhecimento territorial de povos e comunidades tradicionais. 

Atualmente, a equipe atua em uma rede de instituições que possuem trabalhos complementares, reúnem, produzem, informam e fortalecem sua atuação conjunta na região.