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Eliziane Paiva – De Agência Amazônia

MANAUS — A escritora, documentarista e jornalista Eliane Brum, de 56 anos, amiga do jornalista britânico Dominic Mark Phillips e do indigenista brasileiro Bruno da Cunha Araújo Pereira – assassinados em terras indígenas no Vale do Javari, Atalaia do Norte (a 1.136 quilômetros de Manaus) desmentiu, em suas redes sociais, fake news sobre ter sofrido ameaças de morte.

A escritora gaúcha vive em Altamira, no Estado Pará, e é colunista do jornal espanhol El País e colaboradora de vários jornais e revistas da Europa e dos Estados Unidos, como The Guardian e The New York Times. Brum vem cobrindo matérias da Amazônia há quase 25 anos e foi alvo de notícias falsas propagadas, segunda a jornalista, por portais da região.

De acordo com a notícia falsa, Eliane havia cancelado a viagem a Parintins, onde iria participar de um evento, após sofrer ameaças de morte. Em seu perfil na rede social Twitter, Eliane publicou: “Além de todo o horror e luto que vivemos, ainda temos que lidar com fake news. Um site do Amazonas publicou a “notícia” de que cancelei uma palestra em Parintins porque recebi ameaças de morte por ser amiga de Dom e Bruno. É MENTIRA e está fazendo mal para família e amigos. Parem!”, desabafou.

Relação de amizade

Em um artigo publicado por Eliane no jornal Nexo, relata sobre a relação de amizade que tinha com Dom Phillips e descreve o exato momento em que recebeu a notícia sobre o desaparecimento do jornalista. “Na segunda-feira (6), logo cedo, me assustei com uma mensagem no WhatsApp. Me perguntavam se Tom Phillips, correspondente do The Guardian no Brasil, estava desaparecido no Vale do Javari, uma das regiões mais perigosas da Amazônia. Meu marido, Jonathan Watts, é editor global de meio ambiente do jornal britânico e vive na Amazônia comigo. Tom, porém, estava em sua casa, no Rio de Janeiro, e atendeu prontamente ao celular. Se não era Tom, quem então estaria desaparecido? Dom Phillips, concluímos no segundo seguinte”, discorre a escritora no início do artigo.

“A diferença de apenas uma letra no nome de dois jornalistas que escrevem para o The Guardian no Brasil costuma provocar confusão. Dom é um dos melhores amigos de Jon, é um cara adorável, excelente jornalista, repórter experiente e responsável. Sabíamos que Dom estava trabalhando num livro sobre a floresta. Pedi então a uma liderança indígena do Vale do Javari que me enviasse uma foto da pessoa desaparecida, para que pudéssemos ter certeza. Quando a imagem se abriu no celular, a certeza era uma mão esmagando o estômago. Sim, era Dom. Nosso amado Dom, com seu rosto solar, de quem nada teme mostrar ao mundo, vestido pelo verde da floresta ao seu redor”.

“A dor então se tornou mais pungente. Era preciso contar a sua esposa, nossa amiga Alessandra, e à família na Inglaterra, que Dom estava desaparecido havia 24 horas. Também era necessário informar ao Guardian, jornal com o qual Dom colabora com mais frequência. Quem viajava com Dom era Bruno Pereira, um dos mais importantes indigenistas de sua geração, exonerado de seu cargo na Fundação Nacional do Índio em 2019, quando Sergio Moro era ministro da Justiça, após comandar uma operação de repressão ao garimpo ilegal. Servidor de carreira da Funai, Bruno precisou pedir licença do órgão para seguir protegendo os indígenas: sob o Governo Bolsonaro, a Funai se tornou um órgão contra os indígenas”, escreveu a jornalista.

Autora de oito livros no Brasil

Autora de sete obras de não-ficção e um de romance, Eliane Brum publicou seu primeiro livro de reportagens em inglês, em 2019, pelas editoras Graywolf, nos Estados Unidos, e Granta, no Reino Unido. The Collector of Leftover Souls (livro de Brum) foi também traduzido para o italiano e para o polonês.

Além, disso, Eliane assina a direção e codireção de quatro documentários, o primeiro deles foi ‘Uma História Severina’, reconhecido por 17 prêmios nacionais e internacionais, e a mais premiada do Brasil, segundo levantamento anual feito pelo site especializado Jornalistas & Cia.

Eliane Brum, documentarista e amiga de Dom e Bruno. (Lilo Clareto)

Em 2021, recebeu o Prêmio Maria Moors Cabot, oferecido pela Columbia University School of Journalism, de Nova York (EUA), o mais relevante prêmio de jornalismo das Américas e o mais antigo do mundo, por sua carreira. Eliane Brum trabalhou em Porto Alegre nos primeiros 11 anos da carreira e em São Paulo nos 17 anos seguintes. Desde 2017, vive e trabalha a partir de Altamira, no Médio Xingu, um dos epicentros da destruição da floresta amazônica.

Notícias falsas

As notícias falsas, fake news, expressão em inglês, espalham-se muito rapidamente em decorrência da facilidade que a internet proporciona aos usuários, quanto mais pessoas estão acessando e compartilhando notícias, e chamam a atenção de cunho sensacionalistas com assuntos da atualidade e com informações de apelo emocional ao espectador, que muitas vezes não se preocupa em questionar a veracidade da notícia.

A disseminação de fake news já provocou grande tragédia nacional, em 2014, quando uma mulher foi linchada até a morte por moradores da cidade de Guarujá, em São Paulo. A dona de casa, mãe de duas crianças, Fabiane Maria de Jesus, 33, foi confundida com uma suposta sequestradora de crianças, após divulgação de retrato falado que circulava nas redes sociais, sendo que o mesmo havia sido feito dois anos antes.

Propagação de notícias falas, fake news. (Eric Cifuentes/Flickr)

O movimento antivacinação é outra notícia disseminada por meio de fake news. Pessoas contrárias ao uso de vacinas repassam informações, que muitas vezes envolvem dados estatísticos, alegando que as composições químicas das vacinas são prejudiciais à população. As informações afirmavam que os medicamentos contra febre amarela, poliomielite, sarampo, microcefalia e gripe poderiam ser um risco para a saúde, provocando as respectivas doenças nas pessoas, quando vacinadas.

Como evitar notícias falsas

Algumas dicas podem ajudar a descobrir se a notícia é um fato ou fake. Ao perceber títulos sensacionalistas ou milagrosos, questione-se. Muitas vezes esses títulos são feitos para acumular cliques e não necessariamente passar veracidade. Procure as mesmas informações em outros veículos, especialmente aqueles que você já conhece e confia.

A data de publicação também é fator importante, uma notícia real, porém, antiga, pode trazer pânico ou criar expectativas sobre alguma situação já resolvida ou controlada. Certifique-se se a fonte realmente existe, se possui outras publicações duvidosas na mesma plataforma.

É sempre interessante investigar mais a respeito do site em questão. Consulte sites de verificação gratuitos. Repassar informações falsas, ainda mais se forem de grande complexidade, é perigoso. Não alimente as fake news, sempre verifique as informações recebidas e certifique-se da veracidade da notícia antes de compartilhar. Na dúvida, não compartilhe.