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Bruno Pacheco – Da Agência Amazônia

MANAUS — Em meio a homenagens com cânticos indígenas do povo Xucuru, o indigenista Bruno da Cunha Araújo Pereira, servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai) assassinado em 5 de junho deste ano durante expedição no Vale do Javari, no Amazonas, está sendo velado nesta sexta-feira, 24, na cidade de Paulista, Região Metropolitana do Grande Recife, em Pernambucano.

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As homenagens contaram com cartazes, fotos de Bruno e Dom Phillips e pedidos por justiça. Os indígenas que habitam a Serra do Ororubá, no município de Pesqueira, no Agreste do Estado, levaram ainda maracás, instrumento musical também conhecido como chocalho, para cantarem o ritual do Toré, cuja manifestação cultural é símbolo de resistência e união de povos tradicionais do Nordeste.

Indígenas entoaram o ritual do Toré durante velório do indigenista Bruno Pereira (Yura Marubo/Instagram)

O caixão do indigenista, coberto com bandeiras de times de futebol e uma camisa da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), foi exposto ao público por volta das 9h30.

Indígenas ficaram envolta do caixão de Bruno Pereira e prestaram homenagens (Marlon Costa/Pernambuco Press)

Morto aos 41 anos, junto com o jornalista inglês Dominic Mark Phillips, de 57 anos, após receberem ameaças de pescadores, o corpo do pernambucano Bruno Pereira chegou ao Recife na noite dessa quinta-feira, 23, em uma aeronave da Polícia Federal, depois de passar por exames periciais em Brasília, que apontaram que ele morreu com três tiros, dois no tórax e um na cabeça, com munição típica de caça.

Os restos mortais do indigenista serão cremados às 14h desta sexta-feira (horário de Brasília), no Cemitério e Crematório Morada da Paz, que disponibilizou, na internet, um memorial para envio de mensagens, orações e lembranças a Bruno Pereira. Até a publicação desta matéria, a página já contava com 572 textos, fotos e vídeos.

Defensor

Nascido em Recife, Bruno Pereira deixou sua cidade natal aos 22 anos para trabalhar em defesa da causa ambiental na Amazônia e desempenhou diversas funções na Fundação Nacional do Índio (Funai) na última década, quando teve passagem pela coordenação regional do Vale do Javari e aprendeu a falar quatro línguas das populações locais.

Bruno Pereira deixou sua cidade natal aos 22 anos para trabalhar em defesa da causa ambiental na Amazônia (Gary Calton Photography)

O indigenista, que deixa um legado e um ensinamento sobre como atuar pelos direitos das populações originárias, se tornou um dos principais especialistas do País em indígenas isolados e de recente contato, sendo considerado referência na área por colegas e pelos povos originários, com quem construiu forte relação de amizade e era visto como protetor.

Bruno Pereira era visto como protetor do povos indígenas (Gary Calton Photography)

Pereira estava licenciado da Funai, onde trabalhou por aproximadamente 12 anos, para participar de um projeto com o amigo jornalista Dom Phillips, no Vale do Javari, região da Tríplice Fronteira entre Colômbia, Brasil e Peru, onde há grande presença do narcotráfico.

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Presos

Até esta sexta-feira, 24, quatro pessoas foram presas suspeitas de participarem no assassinato de Bruno e Dom, são eles: os irmãos Amarildo e Oseney da Costa de Oliveira, conhecidos como “Pelado” e “Da Costa”, respectivamente, Jeferson da Silva Lima, o “Pelado da Dinha”, e Gabriel Pereira Dantas, que foi se entregou à Polícia de São Paulo nessa quinta-feira, 23, afirmando ter ajudado a “dar fim” nos pertences das vítimas e visto os executores efetuarem os disparos de arma de fogo. A Polícia Federal não descarta outros envolvidos.