Fundação Padre Anchieta

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Uma das consequências da crise da covid-19 foi a ressignificação do ambiente doméstico, que ganhou uma série de novos atributos em decorrência da necessidade de isolamento social.

A casa tornou-se também escritório, sala de aula e academia para exercícios físicos. E teve reforçado o papel de “porto seguro” diante das ameaças do mundo externo, já que uma doença potencialmente mortal se juntou a questões que já preocupavam as pessoas: violência urbana, trânsito e poluição.

Mesmo quando a pandemia for superada, a relação com a casa não será mais como antes, projeta o futurologista Ray Hammond. Sob encomenda da seguradora Allianz, ele produziu um estudo sobre as mudanças decorrentes da crise da covid-19, com um capítulo focado no ambiente doméstico.

Recursos de automação

“A pandemia é um ponto de virada na História, um ponto de inflexão profunda”, diz Hammond, premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) pelos serviços de futurologia – aos quais tem se dedicado ao longo das últimas quatro décadas, com grande índice de acertos.

Várias tendências que já estavam em andamento foram aceleradas desde que eclodiu a crise da covid-19. Nesse sentido, há quem considere que 2020 valeu por três, cinco ou até dez anos.

Uma dessas tendências é a adoção cada vez maior de recursos tecnológicos para tornar as casas mais confortáveis e seguras. Com a popularização do 5G e da internet das coisas, muitos eletrodomésticos e outros recursos ganharão “vida própria” – desde cortinas que poderão se fechar diante de um determinado nível de luminosidade até geladeiras que providenciarão automaticamente o reabastecimento dos mantimentos.

Casa, local de trabalho

A separação clara que havia entre vida profissional e vida doméstica tornou-se bem mais difusa. Antes, a maior parte das pessoas saíam diariamente de casa para o trabalho e voltavam ao lar para descansar.

Com a disseminação das novas tecnologias, as duas dimensões – vida privada e trabalho – estarão cada vez mais misturadas no dia a dia.

Ao popularizar o home office e apresentar essa modalidade a uma legião de profissionais e empresas que ainda não a haviam experimentado, a pandemia acelerou mais um processo que já estava em andamento, ainda que lentamente.

Com isso, a casa deixa de ser um local para estar apenas à noite e nos finais de semana. Muitos novos projetos de prédios residenciais nas grandes cidades vinham se baseando nesse estilo de vida. São apartamentos com áreas pequenas, para moradores que vivem a maior parte do tempo fora de casa. Essa tendência será em parte revertida diante do processo de “volta ao lar” decorrente da pandemia.

Soluções criativas

Para as empresas, a perspectiva de redução de custos fixos trazida pelo conceito de home office mostrou-se extremamente sedutora. “De repente, muitos CEOs perceberam que não precisam mais pagar por enormes prédios para abrigar os funcionários”, observa Hammond.

Ele cita, no relatório do estudo, uma observação do CEO do Grupo UBS, Jes Staley: “A noção de colocar 7 mil pessoas num prédio parece ter se tornado coisa do passado”.

Uma das consequência de tudo isso é a preocupação imediata de incluir, nos projetos de casas e apartamentos, a estrutura necessária para o home office.

Durante a pandemia, a maior parte das pessoas improvisou lugares para passar horas trabalhando e para realizar videoconferências. Daqui em diante, com a percepção de que muitas conversas não precisarão ser presenciais, as reuniões online continuarão fazendo parte da rotina.

Isso significa bem mais do que ter simplesmente um quarto que possa ser convertido em escritório doméstico. É preciso desenvolver soluções criativas e confortáveis para que o trabalho e o estudo dentro de casa possam ser exercidos simultaneamente por mais de uma pessoa.

Cuidados ergonômicos

As transformações na relação entre a casa e o trabalho levam a uma série de novas demandas: como controlar a produtividade dos profissionais, como lidar com o fato de que o expediente se tornou mais difuso no que diz respeito aos limites de horário, como prover mais segurança para a circulação de dados e informações.

Tudo o que foi feito às pressas por conta da pandemia em termos de home office precisa ser agora revisto com planejamento e os cuidados adequados de ergonomia. Não por acaso, a crise da covid-19 vem provocando um grande aumento no número de casos de dores nas costas, tendinites e lesões por esforço repetitivo.

O mesmo raciocínio vale para o novo papel das casas como local de estudo. A tendência é de que cursos dos mais diversos tipos, inclusive universitários, sejam parcial ou totalmente realizados a distância.

Cuidados com a saúde

A casa ganha força também como local de cuidados com a saúde. Durante a pandemia, muita gente passou a encaixar na rotina doméstica os exercícios físicos e terapêuticos, como ioga e mindfulness. Boa parte dessas pessoas pretendem preservar os novos hábitos saudáveis.

Aplicativos e sensores inteligentes farão o monitoramento automático de vários indicadores de saúde dos moradores, identificando preventivamente possíveis alterações. A ideia de checkup estará, dessa forma, cada vez mais integrada ao cotidiano da vida doméstica.

A telemedicina, que ganhou força durante a pandemia, deverá seguir em constante expansão – muitos dos exames e das consultas que até agora obrigavam as pessoas a sair de casa poderão ser feitos à distância.

Equipamentos de monitoramento e estruturas de primeiros socorros permitirão criar espaços em casa especialmente concebidos para dar assistência a idosos ou portadores de doenças crônicas.

Santuário estéril

Durante a pandemia, as compras online foram ampliadas tanto em volume quanto em tipos de produtos. E todos nos acostumamos à rotina de limpeza de tudo aquilo que vem da rua. Essa lógica será automatizada.

 

Afinal, mesmo quando a covid-19 for controlada, ameaças semelhantes sempre estarão rondando a humanidade. Isso levará à popularização de sistemas de limpeza e desinfecção para esterilizar as pessoas e os objetos que entram em casa, com o objetivo de deixá-la livre de vírus, germes e bactérias.

Esses sistemas se tornarão tão comuns quanto o ar condicionado – e possivelmente serão integrados a ele. “A casa se tornará um santuário estéril. Sistemas semelhantes serão instalados também no interior dos carros”, prevê Hammond.

Bom para a mobilidade

Acredita-se que a soma de todas essas mudanças poderá ter um impacto extremamente positivo para dois dos grandes problemas da humanidade: a mobilidade e a poluição atmosférica.

Um grande número de pessoas trabalhando parcial ou integralmente em home office e estudantes fazendo parte de seus cursos à distância levarão a uma queda no volume de deslocamentos, com benefícios diretos para os envolvidos. “Aqueles que se livram da rotina de deslocamentos têm um aumento considerável da qualidade de vida”, observa Hammond.

É possível que, em meio a esse fenômeno, muitas pessoas se deem conta de que não precisam morar nos grandes centros ou que não precisam ter carro, já que deixarão de utilizá-lo diariamente. Nesse sentido, devem ganhar cada vez mais força as opções práticas e mais baratas, como o uso de aplicativos ou do transporte coletivo, além do aluguel de veículos para o caso de viagens.