Cerca de 11,8 milhões de pessoas vivem em unidades de conservação no Brasil, o equivalente a 5,82% da população total do país.
Os dados inéditos, divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fazem parte de um suplemento do Censo Demográfico de 2022 e atendem a demandas de ambientalistas, gestores públicos e pesquisadores.
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É a primeira vez que o instituto levanta informações detalhadas sobre quem reside nesses territórios protegidos. As unidades de conservação (UCs) são áreas legalmente instituídas pelo poder público com o objetivo de proteger os recursos naturais. Ao todo, o Brasil conta com 2.365 UCs, das quais 1.138 possuem população residente.
A imensa maioria, 98,7%, vive em unidades de uso sustentável, como as Áreas de Proteção Ambiental (APAs), que permitem ocupação e urbanização reguladas. Já as UCs de proteção integral, que em tese não permitem residências, abrigam 131 mil pessoas. Parte dessas ocupações é legal, como no caso de povos tradicionais que já viviam nos locais antes da criação das áreas, mas há também registros de loteamentos irregulares e até ações de milícias.
As cinco UCs mais populosas do país são APAs e somam quase 2,6 milhões de habitantes. A campeã é a APA do Planalto Central, que abrange grande parte de Brasília e seus arredores, com mais de 600 mil residentes.
Em termos de perfil demográfico, a maioria dos moradores se declara parda (51,12%), seguida por brancos (35,82%) e pretos (11,92%). A presença de indígenas e quilombolas nessas áreas é significativa: 7,84% da população indígena brasileira e 21,22% dos quilombolas vivem em UCs. Ao todo, são 132,8 mil indígenas e 282,2 mil quilombolas residentes nesses territórios.
Apesar da relevância ecológica das UCs, o levantamento do IBGE mostra que a infraestrutura básica nos domicílios dessas regiões está em condições piores do que a média nacional. Cerca de 40,34% dos moradores enfrentam ao menos uma forma de precariedade em saneamento — seja no abastecimento de água, na destinação do esgoto ou na coleta de lixo. A média nacional é de 27,28%.
Além disso, mais de 856 mil pessoas (7,31%) convivem simultaneamente com as três deficiências. A situação se agrava entre povos tradicionais: 86% dos domicílios com pelo menos um quilombola e 60% dos que têm ao menos um indígena vivem com algum tipo de precariedade.
Na comparação com a média nacional, a infraestrutura também se mostra inferior nas UCs: enquanto 93,95% da população brasileira conta com acesso à água adequada, nas unidades esse índice é de 87,54%. O esgotamento sanitário adequado atinge 75,74% nas UCs, contra 83,68% no país. Já a coleta de lixo alcança 83,62% nessas áreas, ante 90% da média nacional.
Os dados revelam ainda que 46.239 domicílios nas UCs não possuem banheiro ou sanitário, atingindo cerca de 158 mil pessoas. Nas unidades de proteção integral, esse índice é ainda mais elevado: 4,87% das residências nessas áreas não contam com essa estrutura básica.
Em termos regionais, os estados com maior número de habitantes em unidades de conservação são São Paulo (2,48 milhões), Maranhão (1,55 milhão), Bahia (1,35 milhão), Rio de Janeiro (1,11 milhão) e Distrito Federal (1,10 milhão). O Nordeste concentra o maior contingente populacional em UCs, seguido pela região Sudeste.
Embora as unidades de conservação sejam fundamentais para a proteção ambiental, o estudo aponta contradições e desafios em relação à presença humana nesses territórios. Em alguns casos, a habitação se consolidou antes da criação da UC; em outros, conflitos fundiários, ocupações irregulares e ausência de políticas públicas de regularização contribuem para a complexidade da situação.
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