O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), e o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manifestaram nesta quarta-feira (16) "indignação" com a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
O documento foi enviado ao secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e ao representante de Comércio do país, Jamieson Greer.
"O governo brasileiro manifesta sua indignação com o anúncio, feito em 9 de julho, da imposição de tarifas de importação de 50% sobre todos os produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos, a partir de 1° de agosto", diz um trecho da carta.
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“A imposição das tarifas terá impacto muito negativo em setores importantes de ambas as economias, colocando em risco uma parceria econômica historicamente forte e profunda entre nossos países. Nos dois séculos de relacionamento bilateral entre o Brasil e os Estados Unidos, o comércio provou ser um dos alicerces mais importantes da cooperação e da prosperidade entre as duas maiores economias das Américas”.
Além disso, a carta do governo brasileiro cobra uma proposta feita pelo Brasil há dois meses, em 16 de maio.
“Desde antes do anúncio das tarifas recíprocas em 2 de abril de 2025, e de maneira contínua desde então, o Brasil tem dialogado de boa-fé com as autoridades norte-americanas em busca de alternativas para aprimorar o comércio bilateral, apesar de o Brasil acumular com os Estados Unidos grandes déficits comerciais tanto em bens quanto em serviços”, afirma o documento.
“Com esse mesmo espírito, o Governo brasileiro apresentou, em 16 de maio de 2025, minuta confidencial de proposta contendo áreas de negociação nas quais poderíamos explorar mais a fundo soluções mutuamente acordadas”.
Entenda o caso
Na última quarta-feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
Trump publicou uma carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na qual justificou o aumento da tarifa com base no tratamento dado pelo governo brasileiro ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na mensagem, o republicano afirmou respeitar “profundamente” Bolsonaro.
Após a carta de Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu à manifestação do republicano e afirmou que “o Brasil é um país soberano, com instituições independentes, que não aceitará ser tutelado por ninguém”.
O líder brasileiro destacou ainda que qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida com base na Lei Brasileira de Reciprocidade Econômica.
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