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Recentemente, o músico Junior Lima e a empresária Monica Benini publicaram um vídeo nas redes sociais revelando que a filha do casal, a pequena Lara, foi diagnosticada com uma condição rara nos rins: a síndrome nefrótica.

Apesar de ser considerada rara, a síndrome é comum na infância. Um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) aponta um aumento nos casos entre 2022 e 2025, com mais de 2,5 mil crianças de até 12 anos internadas pela doença no estado.

Segundo a médica nefrologista Rebeca Appel, a síndrome nefrótica é uma condição renal caracterizada pela perda excessiva de proteínas pela urina.

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Ela explica que o rim funciona como um filtro, responsável por filtrar nosso sangue. Quando o sangue passa pelos rins, o excesso de água, impurezas, alguns eletrólitos, ureia, creatinina, entre outras substâncias, são eliminadas junto com a urina.

“Na síndrome nefrótica, a ‘peneira’ do rim, que é o glomérulo, apresenta poros maiores do que o normal. Isso faz com que as proteínas escapem pela urina, o que desencadeia uma série de alterações no organismo”, exemplifica a médica.

Quais são os principais sintomas?

A condição pode causar níveis baixos de proteína no sangue (hipoalbuminemia), alterações nos níveis de gordura e colesterol (hiperlipidemia), além de um inchaço característico (edema).

“Você também pode ter sintomas como a redução da imunidade, o que aumenta a propensão a infecções, risco de tromboses e a presença de espuma na urina”, afirma a nefrologista.

A síndrome pode estar relacionada a outras doenças, sendo um conjunto de sinais e alterações clínicas. Por isso, antes de iniciar o tratamento, é preciso identificar a doença que está gerando o quadro, já que diferentes causas podem levar a intensidades variadas da doença.

“Se o problema da perda de proteína não for resolvido, com o tempo isso pode fazer com que o rim deixe de funcionar, desenvolvendo uma doença renal crônica ou até mesmo na falência dos rins”, alerta Rebeca Appel.

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Na infância, a síndrome nefrótica geralmente está associada a uma condição chamada Doença de Lesões Mínimas (DLM), também conhecida como doença de alterações mínimas, uma doença característica do próprio rim.

O inchaço se destaca como o principal sintoma observado nos pacientes. Diferentemente de inchaços causados por pancadas ou por ficar muito tempo em pé, esse tipo de edema surge, principalmente, no rosto e as mãos das crianças.

“Pode ser síndrome nefrótica, que é muito comum na infância, mas também pode ser sintoma de outras doenças, do coração, do fígado, por exemplo. Uma criança com inchaço deve ser levada ao pediatra para avaliação, porque não é normal. Algo está acontecendo”, reforça a médica.

Outro ponto importante, de fácil percepção e que pode servir de alerta é o aspecto da urina. “A urina da pessoa que perde proteína pela síndrome nefrótica apresenta espuma. Não é aquela espuma com uma ou duas bolhas, mas sim uma espuma abundante, que permanece visível e não desaparece”, esclarece.

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Como é feito o diagnóstico?

Os principais exames para diagnóstico são o de urina e o de sangue. Através deles, é possível verificar a perda de proteínas pela urina, o principal indicativo da síndrome, e alterações de colesterol e de albumina no sangue.

“O diagnóstico não é difícil de ser feito. Os exames são simples e, quanto mais cedo forem feitos, mais cedo se inicia o tratamento e melhora a resposta”, afirma Rebeca.

Em adultos, normalmente é preciso biopsiar o rim para confirmar o diagnóstico e direcionar o tratamento. Em crianças, o procedimento é indicado em casos específicos, onde não há resposta ao tratamento inicial ou surgem alterações fora do padrão.

Quais são as formas de tratamento?

Quando a síndrome é causada por uma condição secundária, o tratamento deve ser específico, de acordo com os sintomas, causas e extensão da lesão renal.

Geralmente, o tratamento inclui o uso de medicamentos para controle da pressão arterial, diuréticos, corticoides e imunossupressores. Vale destacar que tanto o diagnóstico quanto o tratamento estão disponíveis na rede pública de saúde.

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“Em crianças, o tratamento é específico e, apresenta boa resposta. Costuma resolver a perda de proteína e pode ser controlada. A criança pode levar uma vida normal, mas precisará de acompanhamento médico para monitorar possíveis recidivas”, explica a nefrologista.

Nos adultos, a síndrome geralmente se manifesta por outros tipos de lesões renais ou doenças associadas. “Aí o tratamento é diferente. A gente fala muito mais em controle do que em realmente resolver a doença e ela desaparecer”, diz.

Por fim, a médica destaca que a ingestão excessiva de proteínas na alimentação não compensa a perda causada pela síndrome. “A alimentação é uma aliada no tratamento. A gente tem que cuidar sim, mas, sozinha, não resolve o problema”, conclui.