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Universidades ampliam a diversidade de estudantes atendidos pela lei de cotas que completou 13 anos. Pessoas transgêneros, refugiados e quem saiu do sistema prisional estão entre os beneficiados.

Para Rafaela, entrar na universidade é mais que realizar um sonho. Mulher trans de 20 anos, hoje ela estuda Ciências e Humanidades na UFABC graças à política de cotas. “Aos poucos com a inserção existe... que também é um espaço delas”, afirma Rafaela Siellah Bueno, estudante. Apenas 0,3% das pessoas trans no Brasil conseguem acessar o ensino superior.

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Foi na UFABC que uma barreira histórica começou a ser rompida. Em 2019, a universidade se tornou a primeira do estado de São Paulo a criar cotas específicas para esse público, reconhecendo a educação como caminho de direito e dignidade. Fundada em 2006, a instituição foi além da Lei de Cotas de 2012 e criou reservas extras: para pessoas com deficiência, migrantes, refugiados, estudantes do Grande ABC em situação de vulnerabilidade e até laureados em olimpíadas do conhecimento.

“A gente ganha nos debates, aula, referências, livros, tema, pesquisas”, explica Fernanda Cardoso, pró-reitora de graduação da UFABC.

No país, os dados do Sisu de 2025 mostram o alcance dessas políticas: mais de 254 mil estudantes foram aprovados, sendo 128 mil pela ampla concorrência, 111 mil pelas cotas e 14 mil por ações afirmativas das próprias universidades. O número de vagas destinadas a pessoas trans dobrou em um ano, chegando a 857.

Na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), 75% das vagas na graduação e 70% na pós-graduação são destinadas a cotistas. Em 2025, foram 32 matrículas efetivadas entre pessoas em privação de liberdade, em uma iniciativa de reinserção social e combate à violência.

“Quando eles estão num regime aberto ou semiaberto, eles são obviamente estimulados a participar das aulas de modo presencial. Então eles vão à universidade, frequentam as aulas, obviamente utilizam da sua condição anônima se quiserem ou não”. Um livro organizado pela professora Márcia Lima, da USP, mostra como essa transformação foi possível e derruba o mito de que cotistas teriam desempenho inferior. Embora entrem com notas mais baixas, essa diferença desaparece durante o curso e, em muitos casos, eles têm maiores taxas de conclusão.

“É porque existe uma mentalidade muito preconceituosa, como se pessoas da reserva de vagas não tivessem disputa. É como se a pessoa vai, né? Tem uma vaga aqui esperando. Não é assim. Inclusive, em algumas carreiras a disputa dentro do sistema de cotas é igual ou até às vezes mais rígida, digamos assim, pelo número de pessoas”, afirma Márcia Lima, professora de Sociologia da USP.

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