O Repórter Eco do último domingo (8) tratou da diferença entre desmatamento e preservação do meio ambiente em termos financeiros. De acordo com o mais recente relatório do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), a cada US$ 1 investido para proteger ou restaurar a natureza, US$ 30 são gastos para destruí-la.
A representante interina do Pnuma no Brasil, Beatriz Martins Carneiro, explica que a metodologia do estudo do documento consolida dados globais de investimentos privados, gastos públicos e subsídios governamentais.
“Analisando os setores de alto impacto, como energia, indústria, agricultura e infraestrutura, a metodologia cruza os fluxos financeiros com evidências científicas sobre impactos ambientais, oferecendo um retrato baseado em dados do sistema financeiro global. Então, o estudo não tem uma desagregação de dados por país ou por região”, diz.
O documento usou dados de 2023 para analisar como os investimentos em diferentes atividades econômicas preservam ou prejudicam a natureza, em todo o mundo.
De acordo com o novo relatório, em 2023, foram movimentados US$ 7,3 trilhões, cerca de R$ 38 trilhões, em atividades voltadas à destruição do meio ambiente.
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“Desse montante, US$ 4,9 trilhões vieram de investimentos privados concentrados em poucos setores de alto impacto. Esses setores são as utilidades públicas, que reúnem as empresas de energia elétrica, saneamento e gás, indústria, energia e materiais básicos. Outros 2,4 trilhões foram gastos em subsídios prejudiciais, como combustíveis fósseis, agricultura não sustentável e uso da água”, expõe Beatriz.
O estudo também revela um cenário preocupante quanto ao financiamento das soluções baseadas na natureza, ações que buscam resolver problemas inspirados nos próprios sistemas naturais, como forma de proteger ou recuperar o meio ambiente. Foram investidos apenas US$ 220 bilhões, pouco mais de R$ 1 trilhão com um total de 90% vindos de fontes públicas. Apenas 10% veio do setor privado.
Assista ao último Repórter Eco na íntegra:
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