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O Opinião da última sexta-feira (24) abordou o endividamento recorde no Brasil. Durante o programa, especialistas analisaram o papel do crédito fácil no problema.

Segundo Kauê Lopes dos Santos, geógrafo e professor da Unicamp, apesar de viabilizar a aquisição de produtos e recursos importantes para as famílias, por meio do parcelamento, o crédito vem na forma de métricas muito exploratórias, estabelecidas por bancos e grandes instituições financeiras.

Você tem as taxas de juros e um conjunto de mecanismos que organizam o orçamento doméstico, condicionam o orçamento doméstico e, de certa forma, alienam o futuro dessas famílias”, argumenta.

Já para Ladislau Dowbor, economista e professor da PUC-SP, o tipo de crédito praticado no Brasil é “agiotagem”.

“A gente calcula que cerca de 10% do PIB é desviado para os grupos financeiros. Em termos de comparação internacional é chocante, porque o juro médio para famílias na Europa é entre 4% e 6% ao ano, enquanto aqui (...) nós passamos de 10% ao ano. É agiotagem, que estava proibida no artigo 192 da Constituição, que os bancos conseguiram tirar”, comenta.

Outro fator relacionado ao crédito que contribui para a inadimplência são as ofertas de crédito de bancos digitais. De acordo com o administrador e antropólogo Maurício de Almeida Prado, diretor da Plano CDE - instituto de pesquisa focado no comportamento dos brasileiros - as ofertas hoje em dia chegam até a pessoa pelo celular, permitindo comportamentos mais impulsivos.

“Como esse crédito chega às pessoas? Antigamente elas tinham que ir numa financeira, a um banco. Hoje em dia, não. Chega no celular delas, a todo momento, com vários tipos de oferta. Somando a questão dos juros altos, a gente tem uma mudança de mais pessoas tendo acesso ao crédito, e esse crédito chegando de uma forma que permite comportamentos mais impulsivos”, explica.

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Assista ao programa completo:

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