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Esta é uma semana fantástica... ao menos para quem, como eu, é fã da “primeira família” da Marvel: o Quarteto Fantástico. Ainda não vi o filme que estreia nesta semana, dirigido por Matt Shakman e com o onipresente (e ótimo!) Pedro Pascal no elenco, mas ver aquele icônico número 4 por todo lado tem me dado uma doce sensação nostálgica.

Se você não os conhece, terei prazer em apresentar. No início dos anos 60, a icônica dupla Stan Lee e Jack Kirby revitalizou o então moribundo gênero dos super-heróis com a criação em massa de incríveis personagens para a Marvel Comics: Vingadores, X-Men, Hulk, Homem de Ferro... E, marcando o início desta explosiva fase criativa está justamente o nascimento do Quarteto Fantástico. Mas o que eles tinham de diferente?

O cientista Reed Richards estava criando uma tecnologia revolucionária para voos espaciais. Sem autorização oficial para testes, realizou um por debaixo dos panos, e estava tão certo do sucesso que levou a tiracolo as três pessoas que mais amava: a noiva, Susan; o cunhado, Johnny; e o melhor amigo: Ben. Mas deu ruim: eles foram atingidos por uma “tempestade cósmica” e a viagem terminou muito antes do esperado, com eles tragicamente transformados pelos tais raios cósmicos.

Deu ruim? Talvez não. Os quatro ganharam superpoderes, “cortesia” dos raios cósmicos. Assim, resolveram usar seus dons recém adquiridos em prol da humanidade, e logo foram apelidos da imprensa de Quarteto Fantásticos, graças a seus espalhafatosos uniformes: Reed, o Senhor Fantástico; Sue, a Garota Invisível (depois, Mulher Invisível); Johnny, o Tocha Humana; e Ben, o Coisa.

Havia dezenas de outras revistas de super-heróis que fracassaram nos 20 anos anteriores. Por que esta deu certo? A resposta mais clara é: por causa do talento de Lee & Kirby. Havia aventura, drama, humor e muita fantasia. E um algo a mais: antes de ser super-heróis, eram uma família. Não à toa, ficaram conhecidos como o “Primeira Família”. Esse elemento, aliás, está presente em praticamente todas as peças de divulgação do novo filme, dos trailers aos brinquedos.

Neste clima de Quarteto Fantástico, separei quatro histórias que, na minha opinião, sintetizam bem o quanto estes personagens são incríveis. Ou fantásticos, se preferir.

Biblioteca Histórica Marvel - Quarteto Fantástico n° 1, antologia com histórias de Stan Lee e Jack Kirby lançadas entre 1961 e 63

Não se trata de uma história específica, mas este volume reúne as 11 primeiras HQs com que Lee e Kirby criaram as raízes para a mitologia do Quarteto Fantástico – e, por tabela, da reformulação do Universo Marvel dos quadrinhos. Além dos quatro protagonistas, são também apresentados os vilões Doutor Destino, Toupeira e Mestre dos Bonecos, além dos incríveis alienígenas skrulls.

Homem... ou Monstro(1966), de Stan Lee e Jack Kirby

Stan Lee e Jack Kirby comandaram o título mensal o Quarteto entre 1961 e 1970, por nada menos do que 102 edições. Dentro do mercado americano de quadrinhos de super-heróis, um fenômeno até hoje. Esta incrível fase teve muitas histórias bacanas, como o surgimento do Doutor Destino (citado acima), o casamento do Senhor Fantástico com a Garota Invisível, a Saga de Galactus, a origem do Pantera Negra... Mas ficarei com este drama em que Ben Grimm, o Coisa, repensa seu papel no mundo.

Perigo num Pequeno Povoado(1981), de John Byrne

A fase de John Byrne na revista mensal do Quarteto é excelente. Ao mesmo tempo em que reverencia seus predecessores Lee e Kirby, ele inovava e apresentava histórias inovadoras e envolventes, como “Explorando a Zona Negativa” e “O Julgamento de Reed Richards”. Para esta sucinta lista, selecionei esta história em particular, que traz um confronto engenhoso e inteligente entre o quarteto e o Doutor Destino.

Três(2010), de Jonathan Hickman e Steve Epting

Depois de John Byrne, o Quarteto até teve boas fases, mas nenhuma tão elogiada quanto a passagem escrita por Jonathan Hickman – que inclui a interessantíssima criação da Fundação Futuro. Para este seleto grupo, fiquei com o arco “Três”, que tem este nome porque um dos fundadores do grupo se sacrifica em um ato de heroísmo. Seria spoiler, mais de dez anos depois, dizer quem foi? Sei que não, mas melhor não arriscar.

Brinde: “Karisma!”, “Uma Pequena Perda” e “A máscara do destino” (1984), de John Byrne e Kerry Gammill

Esta dramática sequência de três histórias começa com Sue, a Mulher Invisível, afastada do Quarteto para cuidar de sua segunda gravidez - ela é temporariamente substituída pela Mulher-Hulk. Em vez da ação, o foco aqui é justamente na gravidez de Sue, cada vez mais delicada. Para mim, em nenhum momento anterior ou posterior da cronologia do Quarteto, tivemos uma história tão impactante – e voltada no lado família deles.

Pedro Cirne é formado em jornalismo, desenhos e histórias em quadrinhos. É autor do romance “Venha me ver enquanto estou viva” e da graphic novel “Púrpura”, ilustrada por 17 artistas dos 8 países que falam português.