Estive poucas vezes com ele, mas era uma figuraça. Culto, engraçado, tinha uma memória incrível – o que é ótimo para quem, como ele, participou ativamente da História, sendo um dos principais nomes por trás do glorioso “Pasquim”, como você verá mais abaixo.

Na última vez em que conversamos, liguei para entrevistá-lo sobre o livro “Ninguém É Perfeito”, que você também verá mais abaixo, mas acredito ter feito uma única pergunta: “e aí, Jaguar, tudo bem?”. Ele foi falando sem parar, me fazendo oscilar entre dar gargalhadas com suas histórias e ficar desesperado por não estar conseguindo anotar tudo o que ele falava (infelizmente, não foi gravada). No final, deu tudo certo. Por essa e tantas outras, um brinde em sua homenagem, Jaguar.
“Átila, Você É Bárbaro”

Esta é a estreia de Jaguar nos livros. Esta antologia de cartuns foi lançada em 1968, mas não é obra de um iniciante: ele já carregava mais de 15 anos de carreira nas costas, tendo estreado em 1952 na revista “Manchete”.
“O Pasquim”

Esta publicação icônica, lançada entre 1969 e 1991, é obra incontornável na história do humor brasileiro, bem como da imprensa nacional. Jaguar, claro, não lutou sozinho nesta corajosa iniciativa de contestação à ditadura brasileira – esteve bem acompanhado por Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Millôr, Miguel Paiva, Claudius, Fortuna etc.
Na minha opinião, era ele quem tinha as melhores histórias a respeito. Basta ver qualquer documentário sobre “O Pasquim” (recomendo todos) e você o verá lá, contando divertidíssimas história por trás de entrevistas, quadrinhos, charges, cartuns e caricaturas tão marcantes.
“Ninguém É Perfeito”

Livro de cartuns (ótimos, claro: são a especialidade dele!) com uma trajetória curiosa: foi publicado inicialmente em 1972, na Argentina, e sé em 2008, 36 anos depois, ganhou sua edição brasileira. Felizmente, continuou engraçado mesmo após tanto tempo, e Jaguar me explicou o motivo quando o entrevistei por ocasião do lançamento: “cartum é como uísque: não tem prazo”.
“Confesso que bebi: memórias de um amnésico alcoólico”

Este livro é mais de crônicas e memórias do que qualquer outra coisa, merece estar nesta lista por dois motivos: a ligação assumida e amorosa de Jaguar com a boemia (a lista de bares que aparece aqui não é brincadeira) e para mostrar que o talento dele não se resume a artes visuais, mas também se expande para a prosa. Como, aliás, os jogos de palavras no título já indicam.
“Bundas”

Outra grande revista de humor que teve Jaguar entre seus pilares – aqui, acompanhado, a princípio, de Millôr Fernandes, Ziraldo, Jaguar, Luís Fernando Verissimo, Adão Iturrusgarai... Foi lançada entre 1999 e 2001, sempre com muito humor e nenhum medo de romper limites – como o próprio nome, uma brincadeira com a revista sobre famosos “Caras”, já indica. O lema, aliás, era algo neste sentido: “quem põe a bunda na Caras não põe a cara na Bundas”.
Pedro Cirne é formado em jornalismo, desenhos e histórias em quadrinhos. É autor do romance “Venha me ver enquanto estou viva” e da graphic novel “Púrpura”, ilustrada por 17 artistas dos 8 países que falam português.
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