Fundação Padre Anchieta

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Pedro Souza/Atlético-MG
Pedro Souza/Atlético-MG

O drible. A jogada de efeito. A bola no ângulo. São muitas as coisas que dão graça ao jogo de bola. E o equilíbrio certamente tem lugar nessa receita, apesar de pouco lembrado no dia a dia. E é capaz de fazer uma diferença danada. Até quando não está exatamente em campo mas pode ser visto na tabela, como tem sido de umas rodadas pra cá nessa edição do Brasileirão. Mas o principal torneio de futebol do país realmente melhorou, ou só deu uma embolada?

Sei que é difícil separar as coisas. E por isso sou levado a crer que essa mistura com a reta final da Copa do Brasil ajudou a reforçar a impressão. Temos vistos resultados inusitados, o que dá graça à coisa. Vitórias improváveis, por placares nos quais praticamente ninguém seria capaz de apostar, idem. E aí vale dizer que se isso aconteceu foi porque times considerados candidatos ao título visivelmente não andam dando conta de reforçar essa impressão.

Um caso recente emblemático dessa confusão entre um bom torneio e jogos com emoção se deu na última Copa do Mundo. O enredo de alguns jogos e certos placares inusitados e largos registrados logo de cara empolgaram muita gente. Mas o desenrolar dos fatos veio mostrar que não estávamos diante de algo muito fora da curva no quesito qualidade técnica. Nunca fui chegado a fazer previsões e prefiro manter o estilo. Já vi muita gente por aí levar bola entre as pernas ao se achar capaz desse tipo de sentença.

No máximo arrisco dizer que compreendo perfeitamente toda a expectativa em torno do Flamengo. Reconheço a excelência do elenco rubro-negro. Mas acho difícil que o time agora comandado por Rogério Ceni volte a dar a liga que deu na temporada passada. Na minha opinião uma das maiores sintonias que um clube brasileiro mostrou nos últimos tempos. Coisa linda, e até por isso rara. E não custa ponderar também que pra cada jogo interessante que se vê tem sempre um de doer. Muitas vezes protagonizado por aqueles de quem se esperava muito.

Como é preciso reconhecer o papel que São Paulo e Palmeiras vêm tendo nesse brilho que o Brasileirão ganhou. Dois times aos quais só parece faltar mesmo esse ingrediente etéreo, catalisador fundamental, que o Flamengo esbanjou tempos atrás. Esse dar liga, é o segredo. Coisa que os dois parecem que podem vir a dar. A todos o Atlético Mineiro, do argentino Jorge Sampaoli, segue sendo uma ameaça. Enfim, pode-se duvidar de que o Brasileirão tecnicamente tenha melhorado, mas que embolou, embolou.

E tem mais, quando se trata de futebol a gente não se diverte só com a realidade, se diverte com a possibilidade. E é isso que o Grêmio - do longevo treinador, Renato Gaúcho - sugere, apesar do zero a zero com o Corinthians. Pra desconforto total da torcida do seu maior rival , o Internacional, a quem a dita realidade tem se revelado uma ameaça que já o tirou do topo da tabela. E como seria bom se a gente pudesse levar em conta só as coisas do futebol para tentar definir o que tem sido essa edição atual do Brasileirão, mas há sobre ele a sombra e o ônus de uma pandemia.

Vladir Lemos é jornalista, apresentador Revista do Esporte e diretor de Esporte da TV Cultura.