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Restos mortais foram levados a Brasília para exame pericialIndigenista foi identificado por meio de exame da arcada dentária. Corpo do jornalista Dom Phillips já havia sido identificado na sexta-feira. Ambos foram mortos a tiros com munição típica de caça, segundo a PF.A Polícia Federal (PF) informou neste sábado (18/06) que o segundo corpo encontrado na Amazônia é do indigenista Bruno Pereira, após identificação por meio de exame da arcada dentária por peritos do Instituto Nacional de Criminalística em Brasília.

Os restos mortais do jornalista britânico Dom Phillips já haviam sido identificados na sexta-feira, também por meio de exame da arcada dentária.

Os restos mortais foram encontrados durante buscas na quarta-feira, após um dos presos suspeito pelo desaparecimento, o pescador Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado, ter confessado o crime na noite anterior. Ele acompanhou agentes até o local onde teria enterrado os corpos, uma área de mata fechada e difícil acesso, a cerca de três quilômetros da calha do rio Itaquaí, afluente do rio Javari.

Causa da morte

Em nota, a PF afirmou que Pereira e Phillips foram mortos por tiros. O indigenista foi atingido três vezes, na cabeça e no tórax, e o jornalista uma vez, no tórax. Em ambos os casos, foi utilizada munição típica de caça, segundo a PF.

A morte de Pereira "foi causada por traumatismo toracoabdominal e craniano por disparos de arma de fogo com munição típica de caça, com múltiplos balins, que ocasionaram lesões sediadas no tórax/abdômen (2 tiros) e face/crânio (1 tiro)", e a morte de Phillips "foi causada por traumatismo toracoabdominal por disparo de arma de fogo com munição típica de caça, com múltiplos balins, ocasionando lesões principalmente sediadas na região abdominal e torácica (1 tiro)", informou a PF.

A corporação afirmou que os peritos do Instituto Nacional de Criminalística farão nos próximos dias novos exames "de Genética Forense, Antropologia Forense e métodos complementares de Medicina Legal, para identificação completa dos remanescentes e compreensão da dinâmica dos eventos".

Terceiro suspeito preso

Também neste sábado, a PF prendeu o terceiro suspeito de envolvimento no assassinato da dupla. O detido, que estava foragido, entregou-se na Delegacia de Atalaia do Norte.

O suspeito foi identificado como Jeferson da Silva Lima, conhecido como Pelado da Dinha. De acordo com o delegado Alex Perez Timóteo, Lima teria envolvimento direito no caso e participado ativamente da emboscada até a ocultação de cadáver. Após ser interrogado, ele passaria por uma audiência de custódia.

Além de Lima e Pelado, PF também prendeu Oseney de Oliveira, o Dos Santos. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Oseney nega a participação no crime.

Investigação

Na sexta-feira, a PF informou que a investigação sobre os assassinatos não trouxe indícios de ter havido um mandante ou organização criminosa por trás das mortes, mas que as diligências continuavam.

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) discordou da conclusão da PF. Segundo a entidade, foram repassadas à polícia informações sobre organizações criminosas que estariam atuando na região e que poderiam estar ligadas às mortes. No documento, a Univaja solicita que as investigações continuem e que nenhuma hipótese seja descartada.

"Exigimos a continuidade e o aprofundamento das investigações. Exigimos que a PF considere as informações qualificadas que já repassamos a eles em nossos ofícios. Só assim teremos a oportunidade de viver em paz novamente em nosso território, o Vale do Javari", afirmou a entidade.

Bruno Pereira fazia parte da Univaja e, segundo a entidade, era alvo de ameaças constantes de madeireiros, garimpeiros e pescadores da região.

Dom Phillips e Bruno Pereira tinham sido vistos pela última vez em 5 de junho, enquanto viajavam pelo Vale do Javari, uma região remota do estado do Amazonas palco de conflitos entre indígenas e invasores de terras.

Phillips e Pereira

Jornalista veterano e colaborador do The Guardian, Phillips tinha 57 anos e vivia no Brasil há 15 anos. Ao longo da sua carreira, ele também escreveu para vários outros veículos internacionais, incluindo Financial Times, New York Times e Washington Post, além de ter produzido reportagens para o serviço em inglês da Deutsche Welle (DW).

Antes de desaparecer, Phillips trabalhava num livro sobre preservação da Amazônia, com apoio da Fundação Alicia Patterson, que lhe concedeu uma bolsa de um ano para reportagens ambientais, que durou até janeiro. Phillips deixa uma viúva, Alessandra, que nos últimos dias divulgou diversos apelos para que as autoridades se empenhassem mais pela busca dos desaparecidos.

Pereira era considerado por organizações ambientais e indígenas um dos funcionários mais experientes da Fundação Nacional do Índio (Funai) que atuava na região do Vale do Javari. Em 2018, ele se tornou o coordenador-geral de Índios Isolados e de Recém Contatados da Funai, mas acabou exonerado do cargo em outubro de 2019, após pressão de setores ruralistas.

bl (ots)