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Aos 71 anos, o regente coral inglês Harry Christophers é daqueles músicos essenciais do nosso tempo. Mantém-se firme e inovador à frente do grupo vocal Sixteen, que também é nome do selo que lança seus álbuns ao longo dos últimos 46 anos.
Entretanto, “Anjo da Paz”, foi lançado em 2025 pelo selo Coro. Este é o CD desta semana na Cultura FM. Um título especialmente atual nos dias turbulentos que o planeta vive. Harry Christophers, o criador e regente do grupo vocal The Sixteen, é um dos músicos que mais me impressionou quando o assisti em concerto em São Paulo.
As obras cobrem um amplo arco histórico de seis séculos, onde cabem tanto as canções de Hildegard von Bingen, que viveu no século 12, quanto as alegres e ambiciosas antífonas John Tavener, compostas 400 anos depois.
E, como uma de suas qualidades é não se acantonar somente na chamada música antiga, Christophers também tem um olhar aguçado para a música contemporânea. Em “Anjo da Paz”, Christophers encomendou a compositores atuais como Will Todd e Anna Clyne obras para coro e violino solo sobre textos e versos do Cardeal John Henry Newman e do poeta Rainer Maria Rilke.
O grupo também homenageia o compositor estoniano Arvo Pärt, que completa 90 anos no próximo dia 11 de setembro, incluindo uma de suas obras mais conhecidas “Magnificat”, para soprano solista, no caso Alexandra Kidgell, e o Sixteen.
Numa longa entrevista de março passado, quando o álbum estava prestes a ser lançado, Christophers respondeu assim quando perguntado se considera como “minimalistas sacros” Arvo Pärt e Tavener, dois compositores que dominam o álbum ocupando cinco das nove faixas do álbum: “É estranho, não é? Acho que é definitivamente um recurso de marketing chama-los de minimalistas sacros. Prefiro dizer que são apenas incrivelmente espirituais. Não precisa haver um contexto sagrado real por trás disso. No caso da música de Arvo Pärt, 90% dela é tocada em concertos. Há apenas uma ou duas peças que se pode ouvir em uma igreja ou catedral, nesse contexto religioso”.
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