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A receita é conhecida: reunir músicos notáveis e mundialmente conhecidos com obras raras e\ou inéditas para homenagear uma efeméride de um igualmente grande compositor. A Deutsche Grammophon usou esta tática para produzir o álbum “Shostakovich discoveries – primeiras gravações mundiais e raridades”. Escalou um time de notáveis: Gidon Kremer e a Kremerata Baltica, com seu arranjador oficial, Andrei Pushkarev, e o pianista Daniil Trifonov, entre outros.
A meio século de distância de sua morte, em 9 de agosto de 1975, ainda há material inédito que permanecia desconhecido do público. Afinal, o compositor viveu a maior parte de sua vida na corda bamba, tentando preservar-se e a seu credo artístico num regime particularmente repressor como o estalinismo.
A fonte preferencial do álbum é o Festival Internacional Shostakovich, realizado anualmente desde 2010 no balneário de Gohrisch, onde ele escreveu seu mais célebre quarteto de Cordas, o oitavo, em 1960. O evento conta com estreita colaboração da viúva do compositor, Irina Shostakovich, e da musicóloga Olga Digonskaya, responsável pelo resgate de fragmentos, obras juvenis e outras que permaneciam inéditas até agora.
Você vai gostar da cantata satírica "Rayok Antiformalista", de 1948, interpretada pelo baixo Alexei Mochalov e a Kremerata Báltica. Escrita como resposta à segunda condenação pública de Shostakovich pelo regime soviético, nunca foi apresentada enquanto viveu. Estreou em 1989, ano em que ruiu a URSS, no arranjo de Pushkarev em que brilha o baixo Alexei Mochalov e a Kremerata Baltica, acrescida de percussão.
Outro destaque é a emocionante adaptação de Shostakovich para baixo e piano do poema “Yelabuga Nail”, que fala da trágica morte da poeta Marina Tsvetaeva. Completando as descobertas mais importantes estão os três fragmentos da ópera satírica “O Nariz”, baseada em Gogol, nos quais Thomas Sanderling rege a Staatskapelle Dresden. Esses prelúdios e interlúdios orquestrais acabaram ficando de fora da versão final, em 1930. Irina Shostakovich confiou os manuscritos a Sanderling, que estreou o trio de obras em Gohrisch no Festival Shostakovich de 2017.
Há algumas peças camerísticas interessantes, como as cinco peças para dois violinos e piano. São, na verdade, arranjos de 1961 de temas de suas trilhas sonoras para o cinema, aprovados por Shostakovich
Trifonov se encarrega de um “Scherzo”op. 1a e três fugas. Há até uma peça que ele compôs aos 13 anos, “Na floresta em Gohrisch”.
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