Ouça o álbum completo:
O tenor libanês-palestino Haitham Haidar radicado em Montreal, Canadá, estudou no Instituto de Música Sacra de Yale, na Escola de Música Schulich da Universidade McGill e na Universidade da Colúmbia Britânica. Elogiado por sua "versatilidade musical e linguística" e por sua "voz brilhante" e "inatamente lírica", vem se firmando no repertório convencional, como oratórios, óperas e música de câmara na América do Norte, Europa e Ásia. Adquiriu experiência atuando como Evangelista na Paixão São João de Bach no Festival Barroco de Winnipeg.
Mas “Zaytoun”, seu álbum solo de estreia, lançado em junho passado e CD desta semana na Cultura FM, é um inteligente mergulho na mistura entre a música barroca e árabe: na construção melódica, na textura do acompanhamento e, claro, na linda e característica ornamentação vocal árabe. Além disso, ele também recita poemas de "O Profeta", de Khalil Gibran, sobre improvisos delicados no oud - alaúde - por Abdul-Wahab Kayyali.
"Zaytoun" significa "azeitona” e um crítico britânico raciocinou que ela participa tanto da gastronomia ocidental como oriental, daí o espírito do álbum miscigenando as duas culturas. Simboliza bem o espírito do álbum, que abraça um arco amplíssimo de tempo e de espaço. Assim, o célebre “Lamento dela Ninfa”, de Monteverdi, convive, lado a lado, com a canção tradicional árabe “Wa Habibi”. Ele inclui instrumentação árabe a melodias canônicas do barroco ocidental. Por exemplo, canta em árabe uma ária de Bach.
Assim o violoncelo barroco de Amanda Keesmaat convive com o oud de Kayyali, a tiorba de Sylvain Bergeron e o cravo de Abraham Ross.
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