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Foto: Raphaela Gromes | Facebook/Reprodução
Foto: Raphaela Gromes | Facebook/Reprodução Raphaela Gromes

Ouça o álbum completo:


A violoncelista alemã Raphaela Gromes, nascida em Munique 34 anos atrás, tomou gosto pelas mulheres compositoras desde seu álbum duplo “Femmes”, de 2023. E agora, dois anos depois, repete a dose de um modo tão criativo como o fez anteriormente, em outro álbum duplo.

O primeiro CD de “Fortissima” é dedicado à formação violoncelo-piano, em que é acompanhada por Julian Riem, e oferece um buquê de primeiras gravações mundiais. Justapõe encorpadas sonatas de Henriëtte Bosman, Emilie Mayer e Luise Adolpha Le Beau com peças mais curtas assinadas por Mel Bonis, Victoria Yagling e Adele. Sobretudo a ampla sonata de Emilie Mayer destaca-se, logo ela, que foi chamada durante o século 19 de “Beethoven de saias”.

No segundo CD, Raphaela toca com orquestra. O destaque é um excelente, mas esquecido concerto para violoncelo da compositora judia-alemã Maria Herz, que não foi sequer estreado durante o regime nazista. Outra primeira gravação mundial é um concerto para cello e orquestra de Marie Jaëll, aluna de Saint-Saëns. Quando conheceu seu manuscrito, Franz Liszt escreveu-lhe dizendo que se fosse o de um homem o nome do compositor, com certeza faria o maior sucesso.

Outra première mundial é a de uma curta balada para cello e orquestra da compositora holandesa Elisabeth Kuyper, que viveu entre 1877 e 1953. Ela se engajou nos movimentos feministas que pipocaram nas primeiras décadas do século 20, chegou a reger uma orquestra formada apenas por mulheres em Berlim. Para vocês terem uma idéia, ela mudou-se para a Inglaterra e lá fundou a primeira Orquestra Sinfônica Feminina de Londres em 1923. No ano seguinte, fundou em Nova York a Orquestra Sinfônica Feminina Americana.

Com direito a duas obras compostas especialmente para Raphaela por Rebecca Dale, compositora inglesa nascida em 1985, que ficou conhecida por ter sido a primeira mulher a assinar contrato com a gravadora Decca, em 2018: “The lost composers (Fortissima)” e “Radiance” para cello e orquestra.