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Sua fama se deve às muitas e geniais trilhas sonoras que compôs para o cinema, trabalhando com cineastas do porte de Orson Welles, François Truffaut, Martin Scorsese e sobretudo Alfred Hitchcock. Mas a verdade é que Bernard Herrmann estudou música clássica regularmente e não fazia nenhuma distinção entre música para cinema e para as salas de concerto. Integrou o grupo de jovens compositores que gravitavam em torno de Aaron Copland e era fanático por Charles Ives, o primeiro grande compositor radical norte-americano do século 20. Mas quando morreu, no natal de 1975, era uma espécie de pai dos compositores de cinema do mundo inteiro.
“Os Estados Unidos”, reclamou numa entrevista, “são o único país do mundo que tem os chamados ‘compositores de cinema’. Os demais países possuem compositores que às vezes escrevem para o cinema. Você tem de ser um bom compositor antes de ser um ‘compositor de cinema’”
Verdade. Por isso, é sempre bom voltar a ouvir sua música dita clássica. Sobretudo porque focada em uma de suas obras-primas camerísticas, “Souvenir du Voyage”, para quinteto de clarinete, que domina o recém-lançado álbum “Beyond Vertigo”, do Roeland Hendrikx Ensemble. Mas, numa atitude inteligente, o grupo a envolve por música de qualidade produzida por outros gênios da música para a telona, como Ennio Morricone, Tigran Mansurian e Nino Rota, que sofrem do mesmo preconceito. E mostra que compositores clássicos como o norte-americano John Corigliano, também se dão bem no universo camerístico.
CD da Semana
Autor: João Marcos Coelho
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