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Um trombonista, um pianista e um violoncelista. O primeiro, Ryan Keberle, norte-americano de 45 anos; o segundo, Frank Woeste, é alemão radicado em Paris, de formação clássica, mas apaixonado pelo jazz; e o terceiro, Vincent Courtois, parisiense de 58 anos, também com sólida formação clássica e igualmente apaixonado pelas músicas improvisadas.
Resumindo: três músicos libertários, que não se prendem a gêneros, rótulos ou cartilhas. Seu trio “Reverso” é um constante exercício de se desafiarem constantemente, numa moldura estética que fica entre a composição, o improviso e um arco modernista europeu. Eles caracterizam o grupo como um trio de jazz de câmara.
O resultado vem sendo arrebatador nesta última década de existência do que chamam de “coletivo”. Não há líder, mas três fortes personalidades. Acabam de lançar o álbum “Between two silences”, entre dois silêncios, onze criações coletivas em torno do universo musical de Erik Satie, gravado ano passado, ano do centenário da morte do autor das “Gnossiènnes”. Uma “viagem” que vem explorando a música tão característica dos compositores franceses das décadas iniciais do século 20, como Ravel e o Grupo dos Seis, aos quais eles dedicaram álbuns inteiros.
O pianista Frank Woeste raciocina que “a música de Satie tem um raro equilíbrio entre clareza e mistério. Por trás de sua aparente simplicidade, há uma ambiguidade emocional e um radicalismo silencioso que ainda soa moderno. Sua recusa ao excesso, seu humor seco e seu distanciamento da grandiosidade romântica ressoam fortemente em mim. Sua música parece íntima e conceitualmente ousada, despojada de ornamentos, mas repleta de personalidade. ”
Mas este trio faz um tributo diferente e original a Satie. Em vez de interpretar as obras de Satie, ou tentar reinventá-las, eles compuseram músicas inspiradas no seu universo. Então, esta é música totalmente nova. O trombonista Keberle diz que se sentiu atraído “pelo uso do espaço por Satie, pelo ritmo harmônico lento, pelo senso de humor e pela música peculiar, porém bela. Muitas dessas características também são encontradas na música de Thelonious Monk. Então pensei um pouco em Monk enquanto compunha minhas três canções".
Já o violoncelista Vincent Courtois diz acreditar que Satie teria apreciado a instrumentação peculiar de Reverso. E homenageia a predileção do compositor por títulos excêntricos com suas próprias obras “Désespoir agréable” (“Desespero agradável”) e “Choral Hypocrite” (“Coro hipócrita”). Keberle assina “Origens do Invisível”. E Woeste assina “Valsa dos chapéus sem cabeças” e “Dança dos relógios sem ponteiros”.
CD da Semana
Autor: João Marcos Coelho
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