Fundação Padre Anchieta

Custeada por dotações orçamentárias legalmente estabelecidas e recursos próprios obtidos junto à iniciativa privada, a Fundação Padre Anchieta mantém uma emissora de televisão de sinal aberto, a TV Cultura; uma emissora de TV a cabo por assinatura, a TV Rá-Tim-Bum; e duas emissoras de rádio: a Cultura AM e a Cultura FM.

CENTRO PAULISTA DE RÁDIO E TV EDUCATIVAS

Rua Cenno Sbrighi, 378 - Caixa Postal 66.028 CEP 05036-900
São Paulo/SP - Tel: (11) 2182.3000

Televisão

Rádio

Angela Hewitt ao piano / Foto: Keith Saunders

Ouça o álbum completo:


A pianista canadense Angela Hewitt construiu sua carreira em torno da música de Bach. Como seu compatriota Glenn Gould. Sua extensa discografia foi lançada pela Hyperion, gravadora inglesa de excelência. Aos 67 anos e hoje dividindo-se entre Paris e Londres, ela lançou um álbum em 2021, durante a pandemia, que é uma “viagem” pianística pelo universo dos enamorados.

Aparentemente, seria mais um dos milhares de álbuns caça-níqueis com vinte, trinta faixas breves, no espírito banalizador das playlists que hoje assolam as redes e o streaming. Só que não.

De fato, as melodias escolhidas são autênticos “hits”. Ela reuniu conhecidas e maravilhosas declarações de amor, de Schubert e Schumann a Gershwin e Grainger, passando por Gluck, Grieg, Fauré, De Falla e até Mahler.

Angela diz que sugeriu a ideia ao criador e dono da Hyperion, o excelente produtor Ted Perry, muito tempo atrás. Perry morreu em 2003. Na época, diz a pianista, ele adorou a ideia e sugeriu até posar na capa com ela. O álbum concretizou-se durante a pandemia. “Desde que os seres humanos começaram a cantar, eles cantaram sobre o amor. E nós, músicos, não podemos escapar desse destino. A música expressa o que não conseguimos colocar em palavras”, diz ela no encarte. E termina citando uma frase de Berlioz que está no final de suas caudalosas “Memórias”: “Qual destes dois poderes -- amor ou música -- pode elevar o ser humano às alturas mais sublimes?... É um grande problema. Parece-me que esta é a resposta: o amor não pode dar nenhuma ideia sobre a música; mas a música pode dar uma ideia do amor... por que separar uma da outra? Elas são as duas asas da alma”.

O detalhe crucial que torna esta aventura maravilhosa é que boa parte dos arranjos e transcrições são históricos, de grandes pianistas e compositores. Está no álbum, por exemplo, a “Dança dos Espíritos” de Gluck em arranjo de William Kempf, peça que emociona meus ouvidos quando a ouço, lembrando-me do extra favorito de Nelson Freire. Entre as 23 faixas, gemas como “Widmung”, de Schumann/Liszt, ou “An die musik”, a declaração de amor de Schubert à música, em arranjo de Gerald Moore (1899-1987), um dos maiores pianistas acompanhadores de lieder do nosso tempo.


CD da Semana

Autor: João Marcos Coelho
_________________________

Rádio Cultura FM

FM – 103,3 MHz
www.culturafm.com.br
App: CULTURA PLAY