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O violinista canadense James Ehnes completou 50 anos em janeiro passado. Estudou na Juilliard School em Nova York e construiu uma carreira excepcional de alcance global. Tocou com todas as grandes orquestras e maestros do planeta e gravou extensivamente.
Ainda bem que ele não deixa de lado a música de câmara. Acaba de lançar, pelo selo Seattle Chamber Music Society, leituras apaixonadas e de excelência de dois quintetos de cordas do compositor checo Antonín Dvorak (1841-1904).
Este é o CD desta semana na Cultura FM. Mostra duas faces do compositor. No quinteto opus 77, ele acrescenta um contrabaixo ao quarteto de cordas; no quinteto opus 97, faz como Mozart, acrescenta mais uma viola ao quarteto de cordas convencional de dois violinos, uma viola e violoncelo.
O opus 97 é mais conhecido porque foi composto durante seu período norte-americano, em 1893. Mas o opus 77 representou a primeira grande virada em sua postura como compositor: é de 1875, e nesta obra Dvorak abandona a influência lisztiana e wagneriana, abraçando de vez a cultura boêmia como matriz de sua criação musical, atitude que se transformou em seu passaporte para um salto gigantesco em sua vida. Por causa deste quinteto, Brahms apadrinhou-o em Viena e o apresentou ao editor Simrock.
O gatilho do opus 97 foi igualmente importante, mas bem diferente: aconteceu em 1893, quando o compositor passava as férias de verão num vilarejo no Estado de Iowa, chamado Spillville. Pois Spillville foi visitada por um grupo de indígenas iroqueses que ofereciam peças de artesanato para venda e também mostravam suas canções, músicas e danças tradicionais. Fascinado, Dvořák não só assistiu a todas as suas apresentações como injetou em seu quinteto em construção, entre outros recursos, o ritmo de "tambor", derivado do acompanhamento rítmico de canções rituais indígenas.
CD da Semana
Autor: João Marcos Coelho
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