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Em 1782 José II fundou seu grupo de “Harmoniemusik”. O formato é de um octeto de sopros com dois oboés, dois clarinetes, duas trompas e dois fagotes. Rapidamente instaurou-se uma nova prática musical, que se espalhou pela Europa: ter um grupo de harmonia desses era sinal de prestígio para qualquer corte. Pela mobilidade, estes grupos podiam tocar ao ar livre, abrilhantando os jantares dos nobres, ou em serenatas, andando pelas ruas, atingindo toda a população. Antenado, Mozart usa este formato em cena aberta como trilha do jantar do conquistador em que surge fantasmagoricamente o comendador no final de “Don Giovanni”.
O CD desta semana, “Swingin’ Partita”, concentra-se nesse repertório muito popular na Viena de 1800, assinado por compositores conhecidíssimos como Beethoven, e Salieri (este por causa do filme “Amadeus”, de 1984, lembra?), além de outros hoje anônimos, com Franz Krommer e Antonio Casimir Cartellieri. É música ao mesmo tempo virtuosística e sensível, ocultando sua complexidade sob uma aura de leveza e acessibilidade a todo tipo de ouvidos.
O oboísta Guillaume Cuillier, líder do grupo, teve a ótima ideia de acrescentar ao repertório de época uma obra em primeira gravação mundial. Ele a encomendou ao compositor francês Guillaume Connesson, 56 anos, que se inspirou na partita clássica. Uma homenagem bem-humorada, colorida e alegre, segundo suas palavras, aos divertidos anos 1970 e também á música do século 18: “Junto formas antigas com o vocabulário pop”. E completa: “como o magnífico ‘Tombeau de Couperin’, no qual Ravel mistura sua linguagem harmônica com as danças do século 18”. Segundo Cuillier, líder do Stradivaria, “os timbres e ritmos exuberantes, característicos da escrita de Connesson, oferecem um contraponto ideal ao espírito de entretenimento que definia a música para sopros em 1800”.
CD da Semana
Autor: João Marcos Coelho
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