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Nesta semana (terça-feira, dia 09 de dezembro), Chico Carvalho comentou no programa “Estação Cultura” sobre “As Intermitências da Morte”, livro de José Saramago. O enredo é quase uma fábula tragicômica que mostra as vicissitudes enfrentadas pela população de um determinado local onde a morte entra em greve. No princípio motivo de festa, a situação rapidamente envereda para um beco sem saída: o que fazer com tanta gente em um mundo que nunca renova seu quadro de habitantes?
Texto da Editora:
Idosos e doentes agonizam em seus leitos sem poder "passar desta para melhor". Os empresários do serviço funerário se vêem "brutalmente desprovidos da sua matéria-prima". Hospitais e asilos geriátricos enfrentam uma superlotação crônica, que não para de aumentar. O negócio das companhias de seguros entra em crise. O primeiro-ministro não sabe o que fazer, enquanto o cardeal se desconsola, porque "sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja".
Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre. Então, o que vai ser da nação já habituada ao caos da vida eterna?
Ao fim e ao cabo, a própria morte é o personagem principal desta "ainda que certa, inverídica história sobre as intermitências da morte". É o que basta para Saramago, misturando o bom humor e a amargura, tratar da vida e da condição humana.
O quadro encerra com “Lágrima”, famoso fado português. A música é de Alain Oulman e Carlos Gonçalves, e a letra e interpretação de Amália Rodrigues.
“As Intermitências da Morte” é um livro de José Saramago. Uma publicação da Cia das Letras.
O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3, de segunda a sexta-feira, às 10h. O programa é transmitido também no aplicativo Cultura Play.
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