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Televisão

Rádio

Montagem de “O juiz de paz na roça” / Beatriz Villela

Ouça a coluna de hoje na íntegra!



Na coluna desta quarta-feira (24), Atílio Bari comenta as transformações na imagem pública dos magistrados brasileiros. Ele recorda uma época em que juízes, especialmente os ministros do Supremo Tribunal Federal, mantinham-se distantes dos holofotes e eram conhecidos apenas por suas decisões judiciais. Segundo ele, esse cenário mudou radicalmente: “Hoje os juízes do Supremo tornaram-se presença constante nas mídias, estão a toda hora concedendo entrevistas, aparecendo na TV”.

A reflexão conduz o leitor ao universo do teatro, onde a figura do juiz há séculos é retratada de forma satírica. Bari destaca que magistrados vaidosos, corruptos ou excessivamente poderosos aparecem com frequência na dramaturgia popular e cita como exemplo a comédia “O Juiz de paz na roça”, escrita por Martins Pena (1815-1848) quando tinha apenas 18 anos. Considerada uma das obras fundadoras do teatro brasileiro, a peça acompanha um juiz do interior encarregado de resolver disputas triviais, mas que frequentemente age em benefício próprio, chegando a ficar com um leitão disputado por moradores da cidade.

Para o colunista, a obra permanece atual ao expor privilégios, favorecimentos e distorções no exercício do poder. Ele observa que o personagem principal “não hesita em aceitar presentes” e utiliza interpretações convenientes da lei para atender a interesses particulares. Ao relacionar a sátira do século XIX ao Brasil contemporâneo, Bari argumenta que a obra oferece um retrato ainda reconhecível da realidade nacional e conclui que o texto permanece relevante por mostrar “o teatro falando de coisas sérias, mesmo quando nos faz rir”.


Atílio Bari é idealizador e apresentador do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção.
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Estação Cultura
De segunda a sexta, das 10h às 12h, na Cultura FM

Produção e reportagem: Cirley Ribeiro
Apresentação: Teca Lima

Rádio Cultura FM
103,3 MHz
https://cultura.uol.com.br/radio/
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