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Patricia Selonk em “Dias felizes” / João Gabriel Monteiro

Ouça a coluna de hoje!



Na coluna desta quarta-feira (01), Atílio Bari comenta o espetáculo “Dias felizes”, montagem da Armazém Companhia de Teatro com direção de Paulo de Moraes. A peça é um dos textos mais emblemáticos de Samuel Beckett, dramaturgo irlandês que viveu em Paris durante a Segunda Guerra Mundial, onde colaborou com a resistência francesa. A experiência marcou profundamente sua obra, que passou a explorar o absurdo da existência por meio de situações repetitivas e aparentemente sem sentido.

Em “Dias felizes”, Patricia Selonk interpreta Winnie, uma mulher enterrada até a cintura. Ela passa os dias presa ao mesmo espaço, se apoiando apenas em pequenos objetos guardados na bolsa e na rotina entre o despertar e o anoitecer. Ao seu lado está Willie, personagem lacônico que pouco responde às longas falas da protagonista. Na segunda parte, ela surge ainda mais soterrada, com apenas a cabeça para fora da terra, mas continua aguardando, sem questionar sua situação, que um dia consiga se libertar.

A peça sintetiza características presentes em toda a dramaturgia de Beckett: personagens presos à espera, à repetição e à incomunicabilidade, em cenários minimalistas que revelam, de forma poética, os medos, as esperanças e as contradições da condição humana. Como observa Atílio Bari, "Beckett nos traz inquietações, nos desestabiliza, nos mexe por dentro". Em cartaz no Sesc Pompeia até 19 de julho, “Dias felizes” reafirma a atualidade de um autor que transformou o absurdo em reflexão.
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Estação Cultura
De segunda a sexta, das 10h às 12h, na Cultura FM

Produção e reportagem: Cirley Ribeiro
Apresentação: Teca Lima

Rádio Cultura FM
103,3 MHz
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