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“Quando se discute curadoria, se coloca a música contemporânea como uma dificuldade para o público, quando, na verdade, acontece uma tutela terrível na contramão. Supõe-se que o público não gosta, o que o impede de conhecer a música que está sendo feita”
Valéria Bonafé
A quinta edição do ciclo O Círculo da Música traz um encontro entre as compositoras Juliana Ripke, Valéria Bonafé e os compositores Felipe Senna e Rodrigo Lima.
Nomes reconhecidos de sua geração, os quatro autores dividem-se entre a composição, o arranjo, a pesquisa e a educação musical, além de colaborarem com instituições públicas, como a Escola de Música do Estado de São Paulo, o Coro Acadêmico da Osesp e a Universidade de São Paulo. Os autores são enfáticos ao dizer que existe uma excelente safra de compositores no Brasil. “A gente sabe que tem muita gente boa fazendo música. Essa lista de compositores e compositoras fazendo música é gigante”, diz Valéria. No entanto, a programação das orquestras e outros conjuntos musicais espalhados pelo país é, em sua esmagadora maioria, pautada pelo repertório europeu do século 19. “A programação das salas de concerto tem um repertório completamente alienígena a nós, de uma época que não é a nossa. É estranho que 98% seja música europeia do século 19”, diz Felipe.
"A composição sempre foi um espaço de descoberta do outro e de si próprio. A poética pra mim é uma espécie de rio, não é estática, é fluida, sempre aberta a poder mudar de rumo”, diz Rodrigo Lima. “É importante mostrar para o público que existem pessoas por trás das notas musicais. Existem pessoas que escrevem tudo o que está lá no concerto”, resume Juliana Ripke. “Existimos, trabalhamos, continuaremos existindo e trabalhando”, conclui Valéria.
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