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EFE Neymar, do PSG

As gordas cifras da transação que tirou Neymar do Barcelona podem, de certa forma, representar o apogeu do que os mais ácidos têm chamado de futebol-gourmet. É bem provável que tenha sido. Mas eis que sou surpreendido pelo entusiasmo de um colega de redação que viu naquele " mis en scene" todo um detalhe do futebol de raiz. No começo considerei o entusiasmo exagerado. Mas não era. Ele falava da devoção à camisa 10, que mesmo que tenha sido por vias tortas deu as caras na festa armada no Parque dos Príncipes, em Paris. Permanece viva!

Incrível que vá sobrevivendo a uma época em que, para se ter um apelo mercadológico e diante da limitação que se impõe de se poder ter apenas um dez em cada time, jogadores de todo o mundo trataram de abraçar os mais variados números. Mais justo seria até alguns times não terem direito a ela. Talvez nem fosse exagero implantar um exame fundamentado em técnica e elegância pra que um jogador obtivesse esse direito. Isso mesmo, penso que de tão grande a camisa dez só deveria ser dada a alguém por puro merecimento.

Neymar chegou ao PSG e tomou pra si a 10. Vejam só, tanta gente andou dizendo que ele se foi porque no Barcelona não tinha o protagonismo, porque fulano lhe fazia sombra. Pode ser tudo especulação, mas a 10 é algo que no Barcelona, sem dúvida, Neymar não teria direito. A menos que esperasse a vez. Isso por mais gente fina que Messi seja. Fiquei, então, imaginando o que não passou na cabeça do argentino Pastore, que até então envergava a tal camisa no PSG e depois de cede-la foi visto no último sábado jogando com a vinte e sete.

Não li nada sobre, mas estou certo de que o número não foi escolhido à toa. Como já disse, hoje toda camisa necessita ter um significado atrelado ao número. Sem isso perde-se um apelo de marketing. Bom, o futebol pode gourmetizar, pode se transformar seja lá como for, mas jamais enxergaremos a camisa 10 como uma qualquer. Eu pelo menos estou convencido de que jamais conseguirei.

Provavelmente pelo fato de ter escrito alguns anos atrás com o amigo jornalista André Ribeiro um livro sobre o tema. O que com certeza me deixou mais sensível ao discurso do amigo aqui da redação que viu na exigência da 10 a sobrevida do futebol com uma dose de romantismo. Sim, foi Pelé que a fez diferente de todas as outras. E pode parecer incrível mas foi levado a ela por inúmeras coincidências. Talvez a predileção, a exigência, fosse, em última instância, do deus do futebol. Se Neymar queria um desafio, está posto: honrar com todas as letras a camisa 10. Futebol pra executar a tarefa o rapaz tem de sobra.