O governo da Venezuela pegou o Brasil de surpresa ao anunciar a cobrança de tarifas de até 77% nas exportações brasileiras. A relação entre os dois países está abalada há um ano, desde que o governo Lula não reconheceu a reeleição de Nicolás Maduro.
A taxação atinge principalmente produtos alimentícios como farinha, cacau, margarina e cana-de-açúcar, além dos chamados “bens com certificados de origem”, que deveriam estar isentos de alíquotas de importação após um acordo fechado em 2014.
A decisão gerou apreensão entre empresários de Roraima, que há anos lideram as vendas nacionais à Venezuela. Eles foram informados que a redução da isenção atingiu outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, que também mantêm acordos bilaterais com os venezuelanos.
O país vizinho é o principal parceiro comercial do estado, responsável por mais de 70% da movimentação externa registrada nos últimos anos. O governador Antonio Denarium (PP) cobrou respostas do ministério das relações exteriores e outros órgãos federais.
Leia também: Homem grita "morte a Trump" durante voo e é derrubado por passageiro; veja o vídeo!
Segundo a Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio de Roraima, a isenção desses produtos deveria acabar gradualmente ao longo dos anos, porém, o governo venezuelano decidiu retomar a cobrança.
As relações entre Brasil e Venezuela estão abaladas desde julho do ano passado, quando o governo brasileiro não reconheceu o resultado da eleição de Nicolás Maduro. Ele nunca apresentou documentos que comprovassem a vitória.
Maduro também ficou irritado com o Brasil, no fim do ano passado, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) bloquear a entrada de Caracas no Brics, durante a cúpula de líderes do bloco, na Rússia.
O Ministério das Relações Exteriores informou que tem acompanhado com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, relatos sobre as dificuldades enfrentadas por exportadores brasileiros na Venezuela.
Leia também: Comitiva de senadores brasileiros chega aos EUA para negociar tarifaço de Trump
REDES SOCIAIS