Às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que definirá a nova taxa básica de juros, o mercado financeiro manteve pela quinta semana consecutiva a previsão da Selic em 15% até o fim de 2025.
A estimativa consta no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (28), resultado de levantamento com mais de 100 economistas de instituições financeiras.
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A reunião do Copom está marcada para esta terça (29) e quarta-feira (30). A expectativa é de manutenção da Selic, decisão já precificada pelo mercado com 97% de probabilidade, segundo dados da LSEG. O colegiado do BC já havia sinalizado uma pausa no ciclo de alta na última reunião, após elevar a taxa em 0,25 ponto percentual, chegando ao atual patamar de 15% ao ano.
Para os anos seguintes, o mercado prevê redução gradual dos juros: 12,50% em 2026, 10,50% em 2027 e 10% em 2028. A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para conter a inflação dentro do sistema de metas, que atualmente tem centro em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
A inflação, medida pelo IPCA, teve sua projeção reduzida pela nona semana consecutiva: de 5,10% para 5,09% em 2025. Para 2026, a estimativa caiu de 4,45% para 4,44%. As projeções para 2027 e 2028 foram mantidas em 4% e 3,80%, respectivamente. Mesmo com os recuos, as expectativas seguem acima do teto da meta de 4,5%.
O IPCA-15 de julho, indicador considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,33%, influenciado principalmente pelos aumentos nas tarifas de energia elétrica (3,01%) e nas passagens aéreas (19,86%). Por outro lado, houve queda nos preços da alimentação no domicílio (-0,4%) e da gasolina (-0,5%).
Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), a expectativa para o crescimento da economia brasileira em 2025 foi mantida em 2,23%, enquanto a de 2026 subiu de 1,88% para 1,89%. As projeções para 2027 e 2028 seguem em 2%. O governo federal estima uma expansão de 2,5% em 2025, e o Banco Central, de 2,1%.
No câmbio, o mercado reduziu a projeção do dólar ao final de 2025, de R$ 5,65 para R$ 5,60. Para 2026, a estimativa segue em R$ 5,70. A moeda norte-americana acumula queda de aproximadamente 10% em relação ao real neste ano, movimento atribuído à correção do câmbio após alta no fim de 2024 e à instabilidade nos planos tarifários dos Estados Unidos.
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