Às vésperas de entrar em vigor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros imposta por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil não aceitará ser tratado como submisso e cobrou respeito do líder americano.
A declaração foi dada em entrevista ao The New York Times, publicada nesta quarta-feira (30), a primeira concedida por Lula ao jornal em 13 anos.
“Estamos tratando isso com a máxima seriedade. Mas seriedade não exige subserviência”, expôs o político. “Trato todos com muito respeito. Mas quero ser tratado com respeito”.
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Segundo Lula, a sobretaxa, a maior entre todos os países atingidos pelas sanções comerciais, ignora as tentativas do governo brasileiro de estabelecer diálogo com Washington. “Designei meu vice-presidente, meu ministro da Agricultura e meu ministro da Economia para conversarem com seus respectivos pares. Até agora, não foi possível. Ninguém na Casa Branca quer conversar”.
O governo brasileiro afirma que buscou negociar e chegou a enviar, em 16 de maio, uma carta ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos solicitando uma resposta. A única devolutiva, segundo Lula, foi o anúncio das tarifas feito diretamente por Trump em sua rede social, a Truth Social.
Na avaliação do presidente, a medida representa uma violação da soberania nacional. “O comportamento do presidente Trump se desviou de todos os padrões de negociação e diplomacia”, disse. “Quando há um desentendimento comercial ou político, o que se faz é pegar o telefone, marcar uma reunião e conversar. O que não se faz é impor tarifas e dar ultimatos”.
O político também rebateu as justificativas americanas, que relacionam a decisão ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Trump classificou o processo como uma "caça às bruxas". Em resposta, Lula afirmou: “Talvez ele não saiba que aqui no Brasil o Judiciário é independente".
O New York Times destacou que, para muitos analistas, nenhum outro líder mundial tem desafiado o republicano de forma tão direta quanto Lula. O jornal também descreve o petista como “possivelmente o estadista latino-americano mais importante deste século”.
Na entrevista, Lula ainda sinalizou disposição ao diálogo, reiterando que o Brasil não aceitará ser tratado como inferior. “Em nenhum momento vamos negociar como se fôssemos um país pequeno diante de um país grande”, afirmou. “Reconhecemos o poder econômico, militar e tecnológico dos Estados Unidos. Mas isso não nos dá medo, nos causa preocupação”.
Por fim, Lula alertou que quem pagará pela decisão de Trump serão os próprios consumidores americanos, que verão os preços de produtos brasileiros como café, carne e suco de laranja aumentarem. “Nem o povo americano nem o brasileiro merecem isso. Estamos trocando uma relação diplomática de 201 anos de ganhos mútuos por uma relação de perdas mútuas”. Até o momento, a Casa Branca não comentou a entrevista.
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