O tradicional feijão com arroz, prato símbolo da culinária brasileira, está perdendo espaço no cardápio do consumidor. Um levantamento aponta que no primeiro semestre de 2025, o consumo dos grãos caiu, apesar da redução nos preços.
De acordo com pesquisa da Scanntech, empresa de soluções de tecnologia para o varejo, a combinação arroz e feijão caiu mais de 4% no último ano.
No primeiro semestre de 2025, a redução foi de 4,7% para o arroz e 4,2% para o feijão na comparação com o mesmo período de 2024.
A queda acontece mesmo com a diminuição do preço dos alimentos (14,2% para o arroz e 17,5% para o feijão), o que indica uma mudança de hábitos.
“Quando a gente tem uma família grande, faz sentido fazer arroz e feijão para todos, mas quando estamos sozinhos, ou somente em duas pessoas, o arroz e feijão viram alimentos muito trabalhosos para se preparar e estocar”, diz Felipe Passarelli, especialista em inteligência de mercado da Scanntech.
Passarelli também alerta que a rotina corrida adotada por muitas pessoas hoje em dia acaba contribuindo com o consumo de alimentos mais práticos.
“A praticidade e a conveniência ditam muitas escolhas dos consumidores, por isso eles buscam opções financeiramente vantajosas que facilitem o preparo de refeições rápidas”, diz.
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A redução no consumo de arroz e feijão vem sendo observada há quatro décadas. O índice passou de 40 quilos de arroz por pessoa ao ano, em 1985, para 28,2 quilos em 2023. Já o feijão, no mesmo intervalo de tempo, passou de 19 para 12,8 quilos.
“Esse cenário vai na contramão de todas as outras categorias da cesta de produtos básicos. As outras categorias da cesta apresentaram queda em consumo também, mas muito por conta do aumento relevante de preço. A gente chega a conclusão de que houve uma mudança nos hábitos do consumidor”, explica Felipe.
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