A Pastoral do Povo da Rua de São Paulo inaugurou o Ateliê Santa Rosa de Lima, espaço dedicado a capacitar pessoas em situação de vulnerabilidade na produção de artesanato.
O projeto é um desdobramento da Casa de Oração do Povo de Rua, que diariamente oferece café da manhã e apoio à população mais vulnerável.
A primeira lição, segundo os organizadores, é reaprender a acreditar em si mesmo. Desempregado, Luís Henrique Barbosa chegou ao local em busca de uma chance. Ele lembra que a mãe sempre fez estampas em casa usando um ferro de passar roupa. Agora, aprende a utilizar as máquinas para produzir bonés, camisetas e canecas. “Trabalhar e conquistar minha vida, fazer minhas coisas para sustentar meus dois filhos e deixar alguma coisa pra eles”, afirma.
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De acordo com o padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo da Rua, o espaço mostra aos participantes que eles são capazes de criar peças valorizadas. “De repente eles percebem, num espaço de tempo rápido, que usando a técnica adequadamente, as pessoas dizem: ‘que bonito! você fez’”, explica.
A demanda é urgente: mais de 90 mil pessoas vivem hoje em situação de rua em São Paulo, quase um quarto de toda a população em situação de rua do Brasil. No ateliê, os alunos produzem uma variedade de peças, como o avental, marca registrada do padre Júlio, além de camisetas, bonés, canecas, bolsas, quadros, azulejos e bottons. Cada produto carrega uma história.
Mais do que trabalho manual, o projeto representa um caminho para retomar a esperança. As peças já fazem sucesso nas vendas após as missas, em feiras pelo país e também nas redes sociais. “Tivemos na semana passada em Belém do Pará e vendemos tudo. No Rio de Janeiro também”, relata Marcelo Augusto de Sousa e Silva, professor do ateliê.
Os três primeiros alunos recebem uma bolsa de R$ 600 como incentivo. A ideia é ampliar para que mais pessoas tenham a mesma oportunidade. “Pretendemos atrair mais gente. O trabalho é sistemático, dura um tempo. A pessoa precisa se apropriar da técnica… pode ir dando passos, mas não podemos fazer o caminho por eles, mas podemos ajudá-los a caminhar”, conclui padre Júlio.
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