O Brasil registrou alta nos casos de coqueluche, segundo dados do Observatório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Segundo a Fiocruz, em 2024 foram mais de 2 mil registros em crianças de até cinco anos, um aumento de 13 vezes em relação ao ano anterior. Em 2025, só até agosto, já são mais de mil ocorrências.
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A coqueluche é uma infecção respiratória causada por uma bactéria e transmitida pelo ar, ao tossir ou espirrar. Os sintomas começam parecendo um resfriado, com tosse seca, coriza e febre baixa, mas podem evoluir para crises fortes de tosse, que causam falta de ar, vômitos e som agudo ao inspirar.
“O que a gente observou foi um aumento muito grande dos casos e das hospitalizações e uma evolução dos óbitos infantis. E apesar da coqueluche ter um ciclo epidêmico a cada três, cinco anos, então é normal a gente ver um aumento de casos de hospitalizações. Mas o que a gente viu nesses dois anos foi um aumento maior do que o esperado, uma gravidade maior da situação”, explica Patrícia Boccolini, pesquisadora da Fiocruz.
A coqueluche estava mais controlada durante a pandemia, quando o isolamento reduziu a circulação da bactéria. No entanto, com a volta à rotina e a baixa adesão às vacinas, a principal forma de proteção, a doença encontrou espaço para voltar a circular.
No Brasil, as crianças devem ser vacinadas com a vacina DTP - difteria, tétano e coqueluche - aos 2, 4 e 6 meses, com reforços aos 15 meses e aos 4 anos.
As gestantes precisam tomar a DTPA - contra as mesmas doenças, mas produzida com uma tecnologia diferente. Neste caso, o objetivo é que os anticorpos passem para o bebê, garantindo proteção nos primeiros meses de vida.
Para diminuir o número de casos, a pesquisadora da Fiocruz sugere ações ao poder público: fazer campanhas de combate à desinformação, ampliar horários de atendimento das unidades básicas de saúde e fazer busca ativa dos não vacinados.
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