Fundação Padre Anchieta

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O segundo encontro do Campeonato Mundial da Fórmula E em 2021 teve duas corridas movimentadíssimas e imprevisíveis em Roma, na Itália. Um traçado maior, mais largo e trazendo maiores oportunidades de ultrapassagem. Para ajudar a quem estava colado na tela da TV, do computador ou do smartphone acompanhando as emoções da terceira e quarta etapas, teve mais um ingrediente que deu aquela apimentada na coisa toda: frio, chuvas ocasionais e pista molhada.

Desse jeito, quase tudo envolvendo a Fórmula E em Roma foi movimentado, menos o segundo treino livre, quando uma zebra na curva 12 se soltou e a sessão, que tinha só meia hora de duração, foi interrompida bem na metade da manutenção. O reparo demorou e, bem à italiana, decidiram que deixar aquele ponto sem zebra era a melhor solução.

Três pilotos em específico se destacaram por situações diferentes. Um que começou como herói, mas viu seu esforço ser reduzido a detritos na primeira corrida e se recuperou em grande estilo na segunda; outro que vinha pintando como herói e acabou no zero por motivos indiferentes a seu talento; e outro que, depois de apenas quatro corridas, já pinta como favorito ao título.

O primeiro é Stoffel Vandoorne. Fez a pole position no sábado, para a primeira corrida do fim de semana e liderava a prova tendo Andre Lotterer em seu encalço. Mas ainda começo da prova, o alemão lançou seu Porsche sobre o Mercedes-EQ do belga e os dois ficaram enroscados na proteção da curva 7. Oliver Rowland herdou a ponta com o carro da Nissan, mas sua alegria durou muito pouco: passagem obrigatória pelos boxes por uso excessivo de energia.

Daí apareceu o bicampeão Jean-Eric Vergne na ponta. E o brasileiro Lucas di Grassi em seu encalço. A ultrapassagem, em grande estilo, veio, e o piloto da Audi liderava o e-Prix de Roma rumo à sua primeira vitória em quase dois anos; chegou a cair para terceiro em duas ocasiões depois de acionar o modo de ataque e subiu de volta à liderança em ambas.

Seria a redenção de Di Grassi. Depois de 21 voltas, faltando cinco minutos para a bandeira quadriculada, o carro de Lucas perdeu potência com a quebra do eixo de transmissão de seu Audi. O brasileiro via a vitória escorrer feito areia entre os dedos – e gritava desesperado no rádio “estou com problema! Eixo quebrado!”, e mais alguns compreensíveis palavrões em inglês. Com seu carro lento e o grupo todo andando muito perto, as duas Mercedes-EQ acabaram batendo e também abandonando. Di Grassi vinha para sua redenção, e Vandoorne para juntar bons pontos após largar da pole position. No fim, zero para os dois e os primeiros 25 pontos na conta de Jean-Eric Vergne na temporada, que venceu a prova de sábado em Roma.

Leia também: Vandoorne compensa sábado e vence a segunda corrida do e-Prix de Roma

O domingo teve pista molhada e tanto a classificação como a corrida foram bem movimentadas. Di Grassi saiu da 13ª posição, enquanto Sérgio Sette Câmara, em um final de semana muito complicado, largou do 23º lugar. A pole de domingo ficou com o estreante Nick Cassidy, que só fez lambança na corrida, enquanto Stoffel Vandoorne largou da quarta posição.

O belga, vice-campeão na temporada passada, conseguiu a redenção. Depois de largar da pole no dia anterior e ficar só com os três pontos da façanha, Vandoorne se redimiu e confirmou a excelente forma da equipe Mercedes-EQ.

Di Grassi, bem ao seu estilo, vinha fazendo uma corrida ao mesmo tempo cerebral e agressiva, ocupando a oitava posição depois de largar em 13º e se colocava na briga pelo pódio quando foi tocado por Sébastien Buemi em plena reta. O Audi do brasileiro se estatelou no muro e o suíço da Nissan e.Dams só levou cinco segundos de punição – o que ficou barato dada a periculosidade da manobra. Com grande potencial para o fim de semana, Lucas e a Audi saíram de Roma zerados.

Mas quem vem pintando como grande favorito é Sam Bird. O britânico, único piloto a vencer ao menos uma corrida em cada temporada na história da Fórmula E, fez uma aposta ao se mudar da Virgin para a Jaguar, e já colhe os frutos. O time melhorou o carro e tem uma dupla homogênea tendo o rápido neozelandês Mitch Evans.

O time esteve no pódio nas três primeiras corridas do ano, e Bird venceu a segunda prova na Arábia Saudita. No sábado em Roma, os dois estiveram no pódio em segundo (Bird) e terceiro (Evans); no domingo Evans foi sexto, quando Bird deixou de pontuar pela primeira vez no ano.

Ainda assim, vem demonstrando a regularidade costumeira dos campeões: lidera a disputa com 43 pontos, apenas quatro a mais que seu companheiro de equipe e nove à frente de Robin Frijns. Vandoorne e De Vries (que chegou em Roma na liderança) em quarto e quinto com 33 e 32 pontos, respectivamente, são a ameaça mais real na disputa pelo título, mas não podemos descartar Lucas di Grassi e a Audi – o brasileiro fez uma recuperação estupenda em 2018 depois de zerar nas primeiras quatro corridas do ano e ainda terminar como vice-campeão.

Tudo muito aberto ainda, com favoritos já mirando o alvo e um azarão com muita gente na linha de tiro. Em Valência, daqui a duas semanas, já vamos começar a ter algumas respostas. E você vai tê-las acompanhando a Fórmula E aqui no site e na tela da TV Cultura.

Cleber Bernuci é jornalista e narrador dos treinos livres da Fórmula E no site oficial da TV Cultura.