Fundação Padre Anchieta

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BRASÍLIA (DF) – A espécie de mico descoberta pelo biólogo Rodrigo Araújo, que só é encontrada na Região Norte do Estado do Mato Grosso, recebeu o nome de sagui-de-Schneider (M. schneideri) homenagem ao professor Horacio Schneider, que é reconhecido pelo pioneirismo e grande contribuição para a pesquisa da diversidade e evolução dos macacos. A descoberta realizada por Rodrigo Araújo é a terceira desde 2019 e integra a pesquisa realizada por ele para a defesa do doutorado em Biologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Antes do mico Schneideri, agora em 2021, o cientista já havia descoberto as espécies Plecturocebus grovesi e o mico Munduruku, ambas em 2019.

O pesquisador explica que o mico é um gênero composto por 16 espécies diferentes e que são encontradas na região do arco do desmatamento, que compreende áreas que vão do Oeste do Maranhão e Sul do Pará, passando por Mato Grosso, Rondônia e Acre. Durante os trabalhos de campo que realizou, Rodrigo viu regiões bastante degradadas, uma realidade que altera o equilíbrio da floresta e, consequentemente, de seus habitantes.

O biólogo destaca a importância do conhecimento da existência de novas espécies porque elas são a moeda das políticas de conservação da natureza. O próximo passo agora é levantar a população desses primatas. Ele está coordenando um projeto que tem por objetivo ajudar na conservação de outras espécies de saguis e das florestas onde elas ocorrem. “Nós tentamos chamar a atenção das pessoas, divulgar essas informações. A ideia é pegar as informações levantadas e tentar cruzá-las com dados de áreas onde ocorrem desmatamentos, queimadas e onde existem hidrelétricas”, diz o pesquisador.  Ele acredita que esse trabalho possa ajudar a mapear estas regiões e, consequentemente, auxiliar na prevenção de impactos ao habitat dessas espécies.

No caso do mico Schneideri, a área onde foi encontrada a espécie está localizada no Rio Teles Pires, onde existem várias hidrelétricas que impactaram o habitat do animal, mas os responsáveis pelos empreendimentos não sabiam da existência dos macacos, o que poderia ter evitado consequências nocivas aos primatas.