Quatro jornalistas e um motorista da rede Al Jazeera, do Catar, foram assassinados pelo Exército de Israel, no último domingo (10). O grupo morreu quando a barraca onde estavam foi bombardeada, perto do Hospital Al-Shifa, na cidade de Gaza.
Entre as vítimas, estão o repórter Anas al-Sharif, 28, que se destacava na cobertura da guerra entre Israel e Palestina. Também morreram o correspondente Mohammed Qreiqeh, e os cinegrafistas Ibrahim Zaher, Mohammed Noufal e Moamen Aliwa.
De acordo com as Forças de Defesa de Israel (FDI), o órgão realmente tinha como alvo al-Sharif, alegando que o jornalista "atuava como líder de uma célula terrorista do Hamas". A Al Jazeera negou veementemente as acusações, e afirmou em comunicado que o "assassinato seletivo" foi "mais um ataque flagrante e premeditado à liberdade de imprensa".
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قصف لا يتوقف…
— أنس الشريف Anas Al-Sharif (@AnasAlSharif0) August 10, 2025
منذ ساعتين والعدوان الإسرائيلي يشتد على مدينة غزة. pic.twitter.com/yW8PesTkFT
Com base nos documentos usados pela FDI para incriminar o repórter, obtidos pela BBC de Londres, havia apenas apurações típicas de um jornalista, com dados e fontes, e que Israel não apresentou evidências de que Anas fosse um militante.
Al-Sharif trabalhou como repórter para o grupo de imprensa do partido político Hamas, mas não para o braço armado do grupo, antes do conflito começar, em 2023. Depois disso, ele foi contratado pela Al Jazeera.
Após as mortes dos jornalistas, o Reino Unido solicitou uma investigação independente dos assassinatos, uma vez que não existem indícios de que os repórteres eram combatentes.
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De acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), 186 profissionais da imprensa foram mortos na Faixa de Gaza desde outubro de 2023 – o pior dado em um conflito em 33 anos, desde o início dos registros.
Já no levantamento da mídia palestina, as mortes sobem para 238, considerando todos os repórteres palestinos assassinados por Israel em quase dois anos.
Ainda em uma reunião de emergência, no último domingo (10), o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou a ameaça do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, de ocupar Gaza.
Depois das mortes da equipe da Al-Jazeera, o primeiro-ministro da Austrália Anthony Albanese, declarou, nesta segunda-feira (11), que irá reconhecer o Estado Palestino, diante da ameaça de Netanyahu de anexar a maior cidade da Faixa de Gaza.
Segundo o parlamentar, “foram perdidas várias oportunidades de fazê-lo no passado” e que não se pode deixar passar o atual momento, que coloca definitivamente em risco a solução de dois estados. Albanise também condenou a violência dos colonos ilegais contra os árabes na Cisjordânia, além de acusar o governo israelense de desafiar as leis internacionais e de negar comida, água e remédios até para crianças.
Assim como a Austrália, a França também deve oficializar o reconhecimento do Estado palestino em setembro, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, juntando-se aos 147 países que já o fizeram. Reino Unido e Canadá também vão reconhecer o Estado palestino, se até lá Israel não aceitar o cessar-fogo.
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Assista a reportagem do Jornal da Tarde:
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