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Reprodução | Youtube Provoca
Reprodução | Youtube Provoca

A militante política Clara Charf, também viúva do guerrilheiro e deputado federal, Carlos Marighella, morreu nesta segunda-feira (3), em São Paulo, aos 100 anos. A informação foi confirmada pela Associação Mulher pela Paz, fundada e presidida por Charf, que, desde jovem, se dedicou às causas sociais e aos direitos femininos.

Durante sua participação no Provocações em 2011, apresentado por Antônio Abujamra, ela comentou sobre a maneira que a juventude busca se politizar na atualidade, e como isso era mais viável com a liberdade e os meios de comunicação no presente, do que para Charf na sua juventude. Apesar da importância dessa liberdade, a militante atentou que só ela não é suficiente.

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“Quando a gente começou a militar tantos anos atrás, enfrentamos a ditadura e tudo, não tinha o meio de comunicação que tem hoje. [...] Hoje em dia a gente tem uma liberdade que as pessoas que não viveram naquela época não sabem o valor que ela tem, que é a coisa mais maravilhosa você ter essa liberdade. [...] Os estudantes não podem achar que tendo liberdade, e mais nada, vale tudo. Claro que a liberdade é muito importante, mas a liberdade para quê? Para você poder construir uma sociedade mais justa, mais igual, onde cada pessoa possa fazer o que quiser”, reflete a militante.

Ainda, ao responder a clássica pergunta do programa: “o que é a vida?”, Charf definiu que, para ela, a vida é luta. “Eu acho que é tudo o que pulsa, tudo que você pode realizar, construir, fazer, vida é isso. Uma pessoa que não faz nada, que não participa de nada, fica só se queixando, amargurada porque não tem isso ou aquilo, eu acho que não vive. Porque a vida para mim é luta”.

A diretora-executiva da Associação Mulher pela Paz, Vera Vieira, afirmou em comunicado que Charf morreu de causas naturais. “Estava hospitalizada há alguns dias, entubada. [...] Deixa um legado de lutas pelos direitos humanos e equidade de gênero.”

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Criada em uma família judia no Maceió, Clara começou na militância no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, quando se filiou ao Partido Comunista Brasileiro. Trabalhando como taquígrafa dentro do grupo, ela conheceu Carlos Marighella, com quem ela foi casada até o seu assassinato, em 1969.

Após a morte de Marighella e com o aumento da perseguição política na ditadura militar, a militante se exilou em Cuba. Clara retornou ao Brasil apenas 10 anos depois, com a lei da anistia. A partir desse momento, Charf se filiou à Ação Libertadora Nacional (ALN), organização armada criada por Marighella que visava acabar com a ditadura.

Assista à íntegra do Provocações com Clara Charf:

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