Pateta, Mickey, Donald: há décadas estes personagens estão onipresentes no nosso cotidiano, seja no cinema, na TV, na revistinha ou no anúncio que passa na TV (e agora, na internet) sobre o parque de diversões nos EUA.
O estúdio The Walt Disney Company completa cem anos neste 2023, e eu quis aproveitar a efeméride para apresentar aqui algumas HQs inesquecíveis destes icônicos personagens.
Convenhamos, isto é bem difícil. São milhares e milhares de histórias, e provavelmente a sua lista terá cinco quadrinhos completamente diferentes da minha, e tão bons quanto. De qualquer maneira, acho que vale a pena listar.
Um parêntese antes disso: não dá para falar de Disney sem a sua prodigiosa história na animação – que também é dificílima de ser abordada em alguns poucos exemplos. Eu citaria, de cabeça, “Steamboat Willie” (pelo valor histórico: é a estreia da Disney, já nos apresentando Mickey e Minnie); o também clássico “Fantasia”; e o agridoce “Um Conto de Natal do Mickey”. Já a minha sobrinha, afilhada e amigona Lívia, décadas mais nova, destacaria "Moana", "Frozen 2" e "Encanto". Uma seleção de qualidade, eu diria.
Agora, voltando os quadrinhos, vou destacar aqui cinco que ainda me fazem sorrir e explicar por que os selecionei.
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“O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barks”, nº 10, de Carl Barks
Você verá muita gente dizendo que Carl Barks foi (ao lado de Floyd Gottfredson, que você verá mais abaixo), a pessoa mais importante nos quadrinhos da Disney – e quem sou eu para discordar?
Barks começou na Disney em 1935, um ano após o surgimento do Pato Donald, e ficou lá por décadas. Entre suas criações, estão não apenas a cidade de Patópolis como também alguns de seus mais ilustres habitantes: o Professor Pardal (e o Lampadinha), o Gastão, a Maga Patalójika, os irmãos Metralha e, claro, o Tio Patinhas.
Há alguns anos, a editora Abril publicou uma coleção maravilhosa em 41 volumes: “O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barks”. Claro, é difícil achar todos, por isso indico o volume nove, em que aparece “Natal nas Montanhas” – justamente a primeira aparição do Tio Patinhas.
(Uma curiosidade: o nome do Patinhas, em inglês, é Scrooge McDuck, homenagem ao Ebenezer Scrooge – o protagonista do maravilhoso “Um Conto de Natal”, de Charles Dickens, que eu também recomendo.)
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“A Saga do Tio Patinhas”, de Don Rosa
De todos os inúmeros pupilos de Barks, meu favorito é o norte-americano Don Rosa. É ele o autor da divertida e tocante “A Saga do Tio Patinhas”, lançada originalmente na Dinamarca em 12 volumes pela editora Egmont. O título é autoexplicativo: trata-se da biografia do homem mais rico do mundo de todos os tempos, o Tio Patinhas.
O resumo acima é pouco para o trabalho que Don Rosa teve. Cada capítulo é recheado de homenagens e referências a Carl Barks – o que, claro, não seria de muita valia se as histórias não fossem boas. E são incríveis.
Há três edições desta saga no Brasil, todas da Abril: em 2003, saiu em dois números com o título “40 Anos da Revista Tio Patinhas – A Saga do Tio Patinhas”; em 2007, foi lançada em três partes com o título “A Saga do Tio Patinhas”; e ainda há um volume único, com capa dura e 384 páginas, de 2015.
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“Os Anos de Ouro de Mickey”, n° 1, de Floyd Gottfredson, Ub Iwerks, Walt Disney e mais autores
Citei de passagem, acima, Floyd Gottfredson. Carl Barks, em suas décadas à frente das revistas do Tio Patinhas, ajudou a definir o personagem que conhecemos hoje. Floyd Gottfredson tem um caminho semelhante: ele ajudou a moldar Mickey Mouse, mas por meio das tiras diárias publicadas em jornais estreladas pelo carismático ratinho.
Entre 2017 e 2018, a abril lançou uma coleção em 14 volumes com estas histórias de Mickey nos diários – batizadas, não à toa, de “Os Anos de Ouro de Mickey”. Como a coleção completa ficaria inviável recomendar, sugiro aqui o primeiro número, em que temos não apenas o trabalho de Floyd Gottfredson, mas também de Ub Iwerks e do próprio Walt Disney (nos roteiros).
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“Os 80 Anos do Pato Donald”, vários autores
Difícil falar em Disney sem lembrar do Pato Donald, né? Aliás, como pode alguém tão rabugento, ranzinza e (palavras do tio dele!) preguiçoso, ser tão adorável e carismático?
Este volume que cito aqui, lançando para celebrar oito décadas do personagem, reúne 26 HQs de 15 artistas, distribuídas por quase 500 páginas. Podemos ver, claro, não só ele, mas o maravilhoso universo que habita, com direito à doce Margarida, aos icônicos sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luisinho e ao seu inesquecível carro de placa 313.
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“A Espada do Gelo”, de Massimo de Vita
Uma das minhas histórias favoritas do Universo Disney não vem dos EUA, berço dos personagens, mas da Europa. O italiano Massimo de Vita criou uma HQ de aventura, fantasia, humor e amizade estrelada por Mickey, Pateta e inesquecíveis habitantes de outra dimensão.
O encontro entre estes personagens é raro, já que você não consegue viajar entre dimensões apenas pegando ônibus, por exemplo. Por isso, há apenas quatro aventuras desta série, reunidas no livro “Disney – A Espada de Gelo”, lançado em 2016.
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Pedro Cirne é formado em jornalismo, desenhos e histórias em quadrinhos. É autor do romance “Venha me ver enquanto estou viva” e da graphic novel “Púrpura”, ilustrada por 17 artistas dos 8 países que falam português.
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