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A DC Comics divulgou na semana passada que a premiada atriz Charlize Theron vai produzir uma série sobre o Aqualad para a HBO. Como esta tem acertado a mão em suas séries com personagens da DC Comics (“Pacificador”, “Patrulha do Destino”, “Watchmen”), tem tudo para ser bom. Mas você conhece o Aqualad?

Aliás, antes de tudo, uma pergunta: de qual Aqualad estamos falando aqui? Afinal, existem dois.

O primeiro, e mais famoso deles (até a série da HBO estrear, evidentemente), é o menino Garth. Nos criativos quadrinhos dos anos 40 e 50, muitos super-heróis tinha parceiros-mirins (sidekicks): Batman & Robin, Arqueiro Verde & Speedy, Capitão América & Bucky... Superman voava ao lado de Krypto, o Supercão, e por aí vai.

E Aquaman, o rei da Atlântida? Em 1956, surgiu seu primeiro parceiro: Topo, um... polvo. Criativo, sim, mas limitado para muitas aventuras do personagem fora do oceano. Aí veio, em 1960, o órfão Garth, um menino atlante de aparentemente 8 ou 10 anos que virou sidekick do Aquaman.

Por décadas, Garth foi apenas o parceiro do Aquaman. Até que passou a fazer parte dos Titãs, um supergrupo de heróis jovens, formado originalmente por sidekicks de personagens mais famosos. Os Titãs foram um sucesso, e Garth começou a se desenvolver – tanto na revista do Aquaman quanto na dos Titãs, embora jamais fosse protagonista em uma delas.

Garth cresceu, virou adulto, trocou de uniforme, adquiriu poderes mágicos e assumiu um novo codinome: Tempest. Descobriu-se, inclusive, que ele era o príncipe de uma comunidade pacifista que se isolou da Atlântida: os Idyllist. E mesmo que o pequeno Garth, o jovem Aqualad, tenha se tornado Príncipe Garth dos Idyllist, o poderoso Tempest, por cinco décadas ele foi o único Aqualad que conhecemos.

Isso mudou em 2010, com a estreia da série animada “Young Justice”. No universo desta animação, a Liga da Justiça ainda reúne os maiores heróis do mundo – Aquaman, Muher-Maravilha, Superman, Batman etc... Mas eles têm aliados: uma equipe secreta, para missões teoricamente menos perigosas, formada por aventureiros mais jovens. No geral, são sidekicks dos mais famosos. Apesar de o nome da série ser “Young Justice” (Justiça Jovem), eles são conhecidos apenas como a Equipe (The Team).

Um dos protagonistas de “Young Justice” é um novo Aqualad: ainda atlante, mas não mais órfão, e que desde o início sabemos ter poderes mágicos, enquanto Garth levou décadas para desenvolver os seus. A identidade secreta deste novo herói é Kaldur’ahm, e ele ganhou uma história mais profunda e interessante. Trata-se do filho do Arraia Negra, um dos maiores inimigos do Aquaman. O nome Kaldur’ahm, aliás, é uma homenagem a outro personagem do universo do rei da Atlântida nos quadrinhos: Cal Durham, que começou como vilão (aliado do Arraia Negra) e se regenerou.

Ao mesmo tempo em que estreou na animação, este Aqualad também surgiu nos quadrinhos, mas com algumas diferenças. Na versão das HQs, continua sendo filho do Arraia Negra, mas atende pelo nome de Jackson Hyde. Esta versão do Aqualad fez parte dos Titãs, enquanto a da animação foi direto para a Equipe. Nas duas mídias, é um dos poucos personagens abertamente gays do mundo dos super-heróis.

A animação “Young Justice”, embora tenha tido poucas temporadas (está na quarta), é ótima, e suas decisões por vezes influenciam nos quadrinhos. Em 2019, a série o promoveu de Aqualad a Aquaman – o mesmo movimento se deu no ano passado na cronologia dos quadrinhos, por meio da minissérie “Aquaman - A Busca”, ainda inédito no Brasil, mas previsto para sair no mês que vem.

A série que a HBO está produzindo adapta uma história específica do Aqualad: “You Brought Me The Ocean”, lançada em 2020 nos EUA e inédita por aqui. Trata-se de uma graphic novel fora da continuidade. Isso significa que pode ter diferenças em relação ao cânone oficial – por exemplo, aqui ele se chama Jake Hyde, em vez de Jackson.

“You Brought Me The Ocean” (“Você me trouxe o oceano”, em tradução livre) é muito mais uma história sobre um adolescente descobrindo suas origens do que uma aventura de super-herói propriamente dita.

A série da HBO ainda não escalou elenco ou diretores nem tem previsão de estreia. Fico na torcida para que se junte ao rol de “Watchmen” e “Pacificador”, em vez de ir para o limbo das séries anunciadas da DC e que nunca foram ao ar, como “Liga da Justiça” (que teria uma protagonista brasileira, a Fogo), “Sexteto Secreto” (que teria uma protagonista brasileira, a Escândalo) e “Moça-Maravilha” (que teria uma protagonista brasileira, a personagem-título).

Pedro Cirne é formado em jornalismo, desenhos e histórias em quadrinhos. É autor do romanceVenha me ver enquanto estou vivae da graphic novel Púrpura, ilustrada por 17 artistas dos 8 países que falam português.