
Região palco de superterremoto nesta quarta-feira (30) deve seu nome aos muitos vulcões localizados em seu entorno. Embaixo dela há também muitas placas em movimento: a maioria dos terremotos no mundo ocorre ali. Um forte tremor de magnitude 8,8 atingiu o extremo leste da Rússia. O terremoto, o maior já registrado desde o tremor de magnitude 9,0 que atingiu o Japão em 2011, chamou mais uma vez para o Círculo de Fogo do Pacífico, uma região geologicamente ativa e propensa a terremotos e erupções vulcânicas.
Qual é o tamanho do Círculo de Fogo do Pacífico
O Círculo de Fogo do Pacífico – também conhecido como Anel de Fogo do Pacífico – é uma série de pelo menos 450 vulcões ativos ou temporariamente adormecidos ao longo de áreas costeiras.
Ele transcorre por toda extensão da costa do Oceano Pacífico. A cadeia vulcânica semicircular começa com uma ramificação no Oceano Índico e continua por meio da Indonésia, Sumatra e Malásia até a Placa das Filipinas.
A partir daí, o anel abrange toda a Placa do Pacífico, a Placa Juan de Fuca (localizada em frente à costa do Canadá e dos estados americanos de Washington e Oregon), a Placa de Cocos (localizado no Pacífico em frente à América Central) e a Placa de Nazca (em frente à América do Sul). A atividade sísmica é elevada em toda a região.
Qual o perigo para população da área?
Cerca de 90% de todos os terremotos no mundo ocorrem dentro deste "círculo de fogo". Isso também significa que pessoas na Indonésia, Filipinas, Malásia, Japão, Austrália ou nos estados insulares da Melanésia, Micronésia e Polinésia têm que viver sob constantes ameaças. Também a população ao longo de toda a costa norte e sul-americana do Pacífico são afetadas.
Mas a dimensão dos perigos não é a mesma para todos: o risco de terremotos é alto em lugares mais elevados ou perto dos limites das placas. A situação de ameaça pessoal depende muito da arquitetura e da prevenção de desastres. Ao longo das áreas costeiras, há o perigo de tsunami.
Ondas gigantes provocadas por terremotos ou atividades vulcânicas podem varrer regiões inteiras em pouco tempo. Vulcões próximos ameaçam localidades com erupções – através de gases, poeira, lava e deslizamentos de terra.
Por que existem tantos vulcões ao longo do "círculo de fogo"?
As placas tectônicas que formam o manto terrestre flutuam continuamente sobre camadas de rochas parcialmente sólidas e parcialmente derretidas. Nos lugares onde as placas colidem ou se despedaçam, a terra se mexe literalmente.
Alguns vulcões podem se formar onde o manto é dilacerado – por exemplo, no Havaí, no meio da Placa do Pacífico. A maioria se localiza na região de encontro das placas tectônicas. Montanhas, como os Andes, na América do Sul, ou as Montanhas Rochosas, na América do Norte, foram criadas dessa forma.
O que é subducção?
Subducção é o nome de um dos processos de colisão típico do Círculo de Fogo do Pacífico. Aqui, uma placa tectônica desliza sob a outra. A imensa pressão que a placa deslocada para baixo exerce sobre o magma no interior da Terra faz com que se procure um caminho para a superfície no limiar da placa. É assim que nascem os vulcões.
No entanto, se esse processo ocorrer abaixo do oceano, também poderão surgir ilhas vulcânicas. Foi assim que as Ilhas Marianas – um arquipélago no limite entre a Placa das Filipinas e a Placa do Pacífico – surgiram.
Quando e onde aconteceram os piores terremotos ao longo do "anel de fogo"?
O pior terremoto conhecido abalou o Chile em 22 de maio de 1960. Ele atingiu uma magnitude de 9,5 graus na Escala Richter. O sismo detém um recorde na lista dos "Maiores terremotos desde 1900" do Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Ele é seguido por um terremoto de magnitude 9,2 no Alasca em 1962. O tremor perto da costa noroeste de Sumatra atingiu magnitude 9,1 em 26 de dezembro de 2004 e provocou um tsunami devastador no Oceano Índico. E o terremoto em frente à costa da principal ilha japonesa, em 11 de março de 2011, também levou a um gigantesco tsunami e, subsequentemente, ao desastre nuclear de Fukushima. Os terremotos dessa lista possuem mais de 8,5 graus de magnitude e a maioria deles se encontra no Círculo de Fogo do Pacífico.
Por que é tão difícil prever terremotos?
Apesar das intensas observações científicas dos movimentos tectônicos e da atividade vulcânica, não se podem prever terremotos com exatidão. Mesmo que dois tremores ocorram em rápida sucessão, nem sempre é possível determinar se eles têm algo a ver um com o outro. Um sismo não precisa necessariamente provocar outro.
Alguns sismólogos questionam se as atividades humanas na crosta terrestre – como mineração, exploração de petróleo e gás ou testes nucleares subterrâneos – também podem desencadear terremotos. No entanto, é difícil apresentar evidências científicas concretas.
Uma coisa é certa: o Círculo de Fogo do Pacífico está sob constante pressão. Se um terremoto ocorre em algum lugar, a pressão ali é liberada localmente por algum tempo. Mas logo depois, ela aumenta novamente.
Assim, a única coisa que resta às pessoas da região é fazer o que torna possível uma vida com perigo: construir edifícios à prova de terremotos, evitar tanto quanto possível as áreas costeiras e instalar sistemas de alerta precoce, que possibilitem escapar de um tsunami.
E, como precaução, essas pessoas precisam armazenar materiais, água e comida em local seguro, para que a vida possa continuar após a catástrofe.
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